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Comissão de Comunicação

Bispos referenciais para a comunicação se reúnem na sede da CNBB para refletir sobre missão no ambiente digital

O encontro é um espaço de comunhão, avaliação e planejamento da atuação da comunicação da Igreja no Brasil, com atenção especial aos desafios da missão no ambiente digital.
 |  Andrea Rodrigues  |  Diocese
Fotos: Fiomá Tonha

A Comissão Episcopal para a Comunicação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reúne, de 6 a 8 de outubro, na sede da Conferência, em Brasília (DF), os bispos referenciais para a Comunicação Social dos regionais da CNBB. O encontro é um espaço de comunhão, avaliação e planejamento da atuação da comunicação da Igreja no Brasil, com atenção especial aos desafios da missão no ambiente digital.  

A programação contempla a memória histórica das reuniões realizadas entre 2023 e 2026, a reflexão sobre o Sínodo e a missão no ambiente digital, orientações para a atuação dos bispos referenciais e temas relacionados à comunicação ética, à inteligência artificial e à proteção da dignidade humana. O encontro também prevê a apresentação dos relatórios da Comissão referentes ao atual quadriênio e a prospecção para o planejamento do próximo período. 

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Fotos: Fiama Tonha | CNBB

Comunhão e missão

O presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB, dom Valdir José de Castro, destacou que a reunião não se limita ao aprofundamento de conteúdos, mas busca fortalecer os vínculos entre os bispos que acompanham a comunicação nos diferentes regionais. 

“A gente se reúne para não somente refletir conteúdos, mas também para estreitar a comunhão entre nós e compartilhar essa missão tão importante que esses bispos têm, especialmente na animação da Pastoral da Comunicação nas suas diversas regiões”, afirmou. 

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Entre os assuntos centrais está a presença evangelizadora da Igreja no ambiente digital, refletida também a partir do processo sinodal. Para dom Valdir, a questão já não é saber se a Igreja deve ou não ocupar esses espaços, mas compreender como estar presente neles como Igreja. 

“Já não é mais uma questão se a Igreja deve estar. Nós temos muita consciência de que tem de estar ali. Agora, é como estar ali presente como Igreja. Esse é o grande desafio”, explicou. 

Dom Valdir recordou, nesse contexto, o documento Rumo à Presença Plena, do Dicastério para a Comunicação, que propõe uma reflexão pastoral sobre o envolvimento dos cristãos nas redes sociais. Segundo o bispo, a presença eclesial no ambiente digital não deve ser compreendida apenas de forma individual, mas a partir da comunhão da fé e do magistério da Igreja. 

Comunicação que parte das relações humanas

Ao avaliar o caminho percorrido pela Comissão entre 2023 e 2026, dom Valdir ressaltou que o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil tem sido uma das principais referências para os trabalhos. Segundo ele, além do uso dos meios e das ferramentas de comunicação, a preocupação da Igreja deve estar na qualidade das relações construídas nesses espaços. 

O presidente da Comissão destacou elementos como a escuta, o diálogo cordial, o respeito ao próximo e a defesa da dignidade humana. Nesse sentido, apontou Jesus Cristo como referência para a comunicação da Igreja. 

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“A nossa comunicação tem como referência a própria comunicação de Jesus, aquela comunicação profundamente humana, de respeito, de escuta, de falar com o outro olhando nos olhos, de valorizar a realidade de onde vem o nosso interlocutor.” 

Para dom Valdir, a Pastoral da Comunicação deve ir além da dimensão instrumental como o rádio, televisão, internet e demais meios; e valorizar, antes de tudo, a comunicação humana. Esse caminho, segundo ele, contribui para a construção da cultura do encontro e de uma sociedade melhor. 

Formação para o uso das novas tecnologias

Nesta quarta-feira, 7 de outubro, a programação do encontro dedica um momento específico ao tema “Magnifica Humanitas: comunicação ética, inteligência artificial e a proteção da dignidade humana”, seguido de orientações para a missão e a ação dos bispos referenciais para a Comunicação Social. 

Neste sentido, o bispo referencial para a comunicação no regional Sul 3 da CNBB, dom Juarez Destro, também chamou a atenção para os desafios apresentados pelas novas tecnologias. Para ele, não é possível ignorar a realidade digital, mas é necessário formar os agentes evangelizadores para utilizá-la de maneira responsável. 

“Precisamos cuidar muito da educação, da formação dos nossos agentes pastorais, dos nossos evangelizadores, enfim, de todo o povo de Deus, para o correto uso dessas novas tecnologias”, afirmou. 

Dom Juarez ressaltou que a resposta da Igreja não deve ser a exclusão das tecnologias, mas a educação para seu uso, tendo como preocupação central a preservação da pessoa e da dignidade humana. 
“Nós estamos mergulhados nessa sociedade, nesse mundo tecnológico. Mas precisamos saber utilizar para salvaguardar o humano das pessoas, a dignidade humana, inclusive as questões sociais.” 

O bispo também chamou a atenção para possíveis impactos sociais provocados pelo avanço da inteligência artificial e defendeu que a Igreja acompanhe essas transformações e contribua para a formação de seus fiéis. 

Trabalho conjunto entre os regionais

Outro aspecto destacado por dom Juarez é a possibilidade de os bispos referenciais partilharem experiências, dificuldades e soluções que possam ser levadas posteriormente às dioceses e comunidades. 

“É fundamental esse trabalho conjunto, porque o Brasil é imenso”, afirmou. Segundo ele, apesar das diferenças regionais, muitos desafios relacionados à comunicação e às novas tecnologias são compartilhados pela Igreja em todo o país. 

Para o bispo, essa dinâmica expressa também a sinodalidade. “A Igreja sinodal caminha assim. É uma Igreja participativa, de comunhão”, disse. 

Dom Juarez citou como exemplo, em sua diocese, as conversas realizadas durante o próprio encontro sobre possíveis assessores e temas para futuras iniciativas formativas relacionadas ao uso das tecnologias. “Essa troca de experiências é muito salutar, e um vai ajudando o outro na sua missão. Formamos uma grande Conferência”, concluiu. 

O encontro segue até amanhã, quinta-feira, 8, quando serão apresentados os relatórios da Comissão Episcopal para a Comunicação Social referentes ao período de 2023 a 2026. A programação será concluída com uma prospecção para o planejamento do próximo quadriênio da Comissão.