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Pastoral da Educação

Há dez anos, uma missão que ensina pelo exemplo

Missa em ação de graças pelos dez anos da Pastoral Diocesana da Educação e Ensino Religioso reúne professores e estudantes na Catedral e recorda que educar também é testemunhar com a própria vida.
 |  Andrea Rodrigues  |  Diocese

Há ensinamentos que permanecem para além da sala de aula. Não porque foram escritos no quadro, repetidos em uma apostila ou cobrados em uma prova, mas porque encontraram correspondência na vida de quem os transmitiu. Foi justamente sobre a força desse testemunho que professores, educadores e estudantes foram convidados a refletir na manhã de domingo, 18 de outubro, quando a Catedral Sagrada Família acolheu a Missa em Ação de Graças pelos dez anos da Pastoral Diocesana da Educação e Ensino Religioso e pelo Dia do Professor.

A celebração, iniciada às 10h, foi presidida por Dom Carlos Garcia Lema, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e bispo referencial do Setor Universidades da CNBB nacional. Diante daqueles que diariamente assumem a missão de ensinar, Dom Lema encontrou no próprio Cristo a imagem daquele que educa pela coerência. Em sua homilia, recordou que a autoridade de Jesus não estava somente naquilo que dizia, mas na correspondência entre suas palavras e sua maneira de viver: Ele primeiro fazia e depois ensinava.

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A reflexão aproximou o Evangelho da realidade de pais, professores e educadores. Se a família é o primeiro espaço da educação, a escola e os demais ambientes educativos prolongam uma tarefa que não se limita à transmissão de conhecimentos. Educar implica também oferecer referências.

A pobreza, a humildade e a simplicidade da vida de Jesus foram apresentadas pelo bispo como sinais concretos dessa coerência. Sua palavra tinha força porque podia ser reconhecida em seus gestos. Para quem educa, a provocação deixada pela homilia foi semelhante: crianças e jovens aprendem não somente com aquilo que escutam, mas também com aquilo que observam na vida dos adultos que os acompanham.

Fé que não se limita ao espaço privado

A partir do Evangelho proclamado na celebração, “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, Dom Lema ampliou a reflexão para a presença dos cristãos na sociedade.

O ensinamento de Jesus, explicou, estabelece uma distinção entre a autoridade civil e a vida religiosa, sem transformar essas duas dimensões em realidades necessariamente opostas. Ao cidadão cabe contribuir para o bem comum, respeitar as autoridades legítimas e cumprir seus deveres. Àqueles que exercem o poder público, por sua vez, cabe governar com justiça, distribuir adequadamente encargos e benefícios e respeitar os direitos fundamentais das pessoas. Entre esses direitos está a liberdade religiosa.

A laicidade do Estado, destacou o bispo, não deve ser compreendida como impedimento à manifestação da fé. A assistência espiritual oferecida nos presídios e o direito das famílias de escolher uma educação coerente com suas convicções foram lembrados como exemplos de como a liberdade religiosa também se concretiza na sociedade.

Para o cristão, portanto, “dar a Deus o que é de Deus” não significa guardar a fé apenas para si. Pelo Batismo, cada pessoa é chamada não somente à santidade, mas também ao apostolado. E testemunhar aquilo em que se acredita exige formação: conhecer as Escrituras, aprofundar-se no Catecismo e cultivar uma vida de oração que ultrapasse os momentos de dificuldade ou a participação na Missa dominical.

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Quando estar perto vale mais que escrever

Foi uma história simples contada durante a homilia que tornou ainda mais concreta a mensagem. Dom Lema falou de um jovem que, apaixonado, escrevia constantemente para a namorada. Eram muitas cartas, muitas declarações e muitas palavras de afeto. Havia, porém, uma ausência: ele pouco se esforçava para estar pessoalmente ao lado dela. Com o passar do tempo, a jovem acabou se casando justamente com quem aparecia frequentemente à sua porta: o carteiro que entregava as cartas.

A história arrancou da simplicidade uma pergunta maior. Afinal, de que valem tantas palavras quando falta presença?

Em um tempo no qual mensagens atravessam distâncias em segundos e as tecnologias multiplicam possibilidades de contato, a reflexão recordou que comunicação não significa necessariamente proximidade. Uma mensagem pode chegar rapidamente à tela de alguém, mas não substitui o tempo dedicado a escutar, acompanhar e ajudar. A fé também passa por essa presença concreta.

Gestos de solidariedade, como a doação de sacolas realizada durante a celebração, ganharam nesse contexto um significado que ultrapassa a entrega material: são maneiras de reconhecer o outro e suas necessidades. Dom Lema convidou os presentes a se perguntarem quanto tempo têm dedicado às pessoas, à escuta daqueles que precisam de companhia e à missão de aproximar alguém de Deus.

Para professores e educadores, habituados a conviver diariamente com histórias, dúvidas, descobertas e dificuldades de crianças e jovens, a pergunta encontrou terreno conhecido. Educar também requer presença.

Dez anos de uma missão

Ao celebrar uma década de atuação na Diocese de Campo Limpo, a Pastoral Diocesana da Educação e Ensino Religioso voltou o olhar para aqueles que ajudaram a construir essa história e para os desafios que ainda acompanham sua missão.

Antes da bênção final, os professores presentes foram convidados a renovar seu compromisso com a educação e receberam uma bênção especial. Palavras pronunciadas em comunidade reafirmaram uma vocação que, de diferentes maneiras, é renovada todos os dias nas escolas, universidades e demais espaços educativos.

Um dos momentos mais emocionantes ocorreu quando a coordenação da Pastoral homenageou a professora Edna Maria da Costa Loureiro, coordenadora, idealizadora e responsável pela implantação da Pastoral da Educação na Diocese.

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A homenagem foi recebida com emoção. Enquanto uma prolongada salva de palmas ecoava pela Catedral, dez anos de trabalho pastoral pareciam caber naquele gesto coletivo de reconhecimento.

A Missa terminou, mas a reflexão proposta naquela manhã permanece justamente nos lugares para onde cada educador retornou depois da celebração.

Nas salas de aula, nos corredores das escolas, nas universidades e dentro das próprias casas, ensinar continuará exigindo palavras. Mas, como recordou a homilia, algumas das lições mais importantes talvez sejam transmitidas sem que seja necessário escrevê-las no quadro. São aquelas que os alunos conseguem enxergar na vida de quem ensina.