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Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora

Igreja no Brasil aprova novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora para o período de 2026 a 2032

O documento foi aprovado durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Aparecida (SP), após um longo processo de escuta, reflexão e discernimento.
 |  Andrea Rodrigues  |  Igreja no Brasil
Fotos: Arquivo CNBB

A Igreja no Brasil inicia um novo ciclo de sua caminhada pastoral com a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE) para o período de 2026 a 2032. O documento foi aprovado durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Aparecida (SP), após um longo processo de escuta, reflexão e discernimento que envolveu bispos, dioceses, organismos e comunidades de todo o país.

Mais do que um conjunto de orientações pastorais, as Diretrizes expressam a forma como a Igreja no Brasil deseja responder aos desafios atuais da evangelização, em sintonia com o processo do Sínodo sobre a Sinodalidade e com os apelos do magistério recente. O texto é fruto de uma construção coletiva iniciada em 2022 e marcada pela participação de diferentes realidades eclesiais.

O caminho para a elaboração das novas Diretrizes começou ao final da 59ª Assembleia Geral da CNBB, quando os bispos enviaram uma carta à Igreja no Brasil apresentando o itinerário de atualização do documento. Na ocasião, foi proposta a continuidade das diretrizes então vigentes, acompanhada de um amplo processo de escuta e discernimento para acolher os frutos do Sínodo e os desafios emergentes da missão evangelizadora.

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Ao longo de 2023, o foco esteve no aprofundamento do discernimento pastoral. Foram analisadas as transformações vividas pela sociedade nos últimos anos, especialmente após a pandemia, além de fenômenos como a cultura digital, a crescente polarização social, o aumento das desigualdades e o enfraquecimento dos vínculos comunitários. Nesse contexto, ganharam destaque três palavras que se tornariam o eixo estruturante das novas Diretrizes: comunhão, participação e missão.

O processo avançou em 2024, quando os bispos passaram a trabalhar sobre um instrumento de trabalho que reuniu as contribuições recebidas. A metodologia adotada foi inspirada na chamada “conversa no Espírito”, utilizada durante o Sínodo dos Bispos, favorecendo a escuta recíproca e o discernimento comunitário. Nesse período, a imagem da “tenda alargada” tornou-se uma importante inspiração, expressando o desejo de uma Igreja acolhedora, aberta ao diálogo e capaz de ampliar seus espaços de participação.

O trabalho recebeu ainda um incentivo especial do Papa Francisco. Em junho de 2024, o pontífice enviou uma carta aos bispos brasileiros encorajando a elaboração das novas Diretrizes e confiando ao Espírito Santo a missão de iluminar os caminhos da evangelização diante dos desafios contemporâneos.

A expectativa inicial era de que o texto fosse votado em 2025. Entretanto, o falecimento do Papa Francisco levou ao adiamento da Assembleia Geral daquele ano, transferindo a votação para 2026. Nesse intervalo, o documento continuou sendo aprofundado. As dioceses e organismos eclesiais receberam o texto como Instrumento de Trabalho, contribuindo com observações, sugestões e complementações.

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As contribuições enviadas pelas Igrejas particulares foram incorporadas pela comissão de redação, juntamente com elementos inspirados pelo pontificado do Papa Leão XIV e pelas indicações para a implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade. Em janeiro de 2026, foi apresentada aos bispos a 23ª versão do documento, consolidando um percurso marcado pela corresponsabilidade e pelo espírito sinodal.

Durante a Assembleia Geral deste ano, o texto ainda recebeu mais de 1.500 emendas propostas pelos bispos. Após análise e integração das contribuições, chegou-se à redação final aprovada pelo plenário com ampla maioria e acolhida calorosa dos participantes.

Segundo o presidente da CNBB, o cardeal Jaime Spengler, o documento reflete os desafios e as necessidades da evangelização no Brasil atual. Para ele, as Diretrizes estão em profunda sintonia com aquilo que a Igreja universal espera de suas comunidades neste tempo.

Além de orientar a ação pastoral nos próximos anos, o documento pretende fortalecer a identidade missionária da Igreja no país, oferecendo critérios comuns para o planejamento das dioceses, paróquias, comunidades e organismos eclesiais. As Diretrizes não substituem a realidade local de cada Igreja particular, mas servem como referência para que a evangelização aconteça de forma articulada, respeitando a diversidade cultural, social e regional presente no Brasil.

Nesse sentido, o texto reafirma a importância da pastoral de conjunto e da corresponsabilidade entre todos os membros do Povo de Deus. A proposta é favorecer uma Igreja cada vez mais próxima das pessoas, capaz de escutar suas alegrias e sofrimentos, discernir os sinais dos tempos e anunciar o Evangelho de maneira significativa nas diferentes realidades humanas.

As novas Diretrizes também destacam a necessidade de uma presença evangelizadora nos ambientes digitais, reconhecendo que as transformações tecnológicas modificaram profundamente as formas de comunicação, relacionamento e transmissão da fé. O documento incentiva comunidades e agentes pastorais a desenvolverem uma atuação missionária criativa e responsável nesse contexto, sem perder de vista a centralidade do encontro pessoal e da vida comunitária.

Outro aspecto relevante é a atenção às periferias geográficas e existenciais. Inspiradas pelo magistério dos últimos pontífices, as Diretrizes reforçam o compromisso da Igreja com os pobres, os migrantes, os povos tradicionais, as vítimas da violência, as pessoas em situação de vulnerabilidade e todos aqueles que frequentemente se encontram à margem da sociedade. A evangelização, segundo o texto, deve caminhar sempre unida à promoção da dignidade humana e à defesa da vida em todas as suas etapas.

A “tenda do encontro” como inspiração para a missão

A principal imagem que atravessa todo o documento é a da “tenda do encontro”, inspirada tanto na tradição bíblica quanto no Sínodo sobre a Sinodalidade. A tenda simboliza uma Igreja que acolhe, escuta, caminha junto e está sempre disposta a ampliar seu espaço para receber a todos.

A estrutura das novas Diretrizes desenvolve essa imagem ao longo de seis capítulos. O primeiro apresenta a Igreja como a tenda do encontro, lugar de acolhida, comunhão e abertura missionária. Em seguida, o documento convida à escuta dos sinais dos tempos e dos sinais de esperança presentes na ação do Espírito Santo nas comunidades e na sociedade.

O terceiro capítulo é dedicado ao discernimento para uma Igreja sinodal, aprofundando os princípios de comunhão, participação e missão que marcaram o processo sinodal vivido pela Igreja nos últimos anos. Na sequência, o quarto capítulo destaca a vocação missionária de todo o Povo de Deus, ressaltando o protagonismo dos leigos e leigas, das famílias, dos jovens, das crianças, dos idosos, das pessoas com deficiência, da vida consagrada, dos ministros ordenados e dos povos indígenas na tarefa evangelizadora.

O quinto capítulo apresenta caminhos concretos para a missão, contemplando áreas como a animação bíblica da pastoral, a iniciação à vida cristã, a liturgia, a piedade popular, a promoção da vida plena, a opção preferencial pelos pobres, a formação permanente e o compromisso com a ecologia integral.

O documento também enfatiza a necessidade de fortalecer processos formativos que ajudem os fiéis a integrar fé e vida, favorecendo uma espiritualidade missionária capaz de responder aos desafios contemporâneos. A formação é apresentada como elemento essencial para o amadurecimento da consciência cristã e para o exercício da corresponsabilidade na vida e na missão da Igreja.

Por fim, o sexto capítulo trata dos compromissos sinodais, considerados o coração das novas Diretrizes. Inspirado no Documento Final do Sínodo, o texto propõe uma profunda conversão em três dimensões: das relações, dos processos e dos vínculos. Essa conversão inclui temas como a proteção de menores, a comunicação eclesial, a valorização dos conselhos pastorais e econômicos, a corresponsabilidade dos fiéis, o fortalecimento dos organismos missionários, o diálogo ecumênico e inter-religioso e a promoção do Pacto Educativo Global.

Com validade até 2032, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora tornam-se agora a principal referência pastoral para as dioceses brasileiras. Mais do que um documento programático, elas representam um convite para que toda a Igreja continue seu caminho de conversão, escuta e missão, testemunhando o Evangelho em uma sociedade marcada por rápidas transformações e novos desafios.

Ao serem acolhidas pelas Igrejas particulares, as Diretrizes deverão inspirar processos de planejamento pastoral, revisão de estruturas e fortalecimento da participação dos fiéis na vida e na missão da Igreja. O horizonte proposto é o de uma comunidade cristã cada vez mais sinodal, missionária e comprometida com a construção do Reino de Deus, capaz de testemunhar a esperança do Evangelho em meio às complexidades do mundo contemporâneo.