Abraço à Guarapiranga celebra 20 anos de mobilização em defesa da água e da Casa Comum
A Diocese de Campo Limpo realizou, no sábado, 31 de maio, a 20ª edição do tradicional Abraço à Guarapiranga e da 19ª Romaria das Águas, realizada no Parque Ecológico Guarapiranga, na zona sul da capital paulista. O evento reuniu cerca de 500 pessoas entre fiéis, representantes de pastorais, movimentos eclesiais, organizações da sociedade civil, coletivos, universidades, lideranças comunitárias, parlamentar e ex-parlamentar, em um grande gesto de conscientização, espiritualidade e compromisso com a preservação da água.

Realizado desde 2006 por iniciativa do padre Jaime Crowe e com apoio da Forania M’Boi Mirim, quando a Represa Guarapiranga completou 100 anos, o Abraço à Guarapiranga tornou-se uma das principais manifestações em defesa dos mananciais da cidade de São Paulo e se tornou evento diocesano há dois anos a pedido do bispo diocesano, Dom Valdir José de Castro. Mais do que uma demonstração de carinho e gratidão pelas fontes de abastecimento de água, o evento também representa um alerta diante dos desafios ambientais e dos impactos da crise climática. Neste ano, a mobilização destacou especialmente a importância do acesso à água e do saneamento básico como direitos fundamentais e denunciou o aumento de esgoto despejado na represa pela SABESP.
Caminhada de fé e compromisso
A programação teve início às 9h, com a chegada dos participantes ao estacionamento do parque. O momento de acolhida e animação foi conduzido pelo padre José Wilson, da Paróquia Nossa Senhora da Esperança.
Na sequência, o vigário forâneo da M’Boi Mirim, padre Orlando Pereira, saudou os presentes e recordou a importância da Carta Aberta do Abraço à Guarapiranga, documento elaborado anualmente pelos organizadores para expressar preocupações, reivindicações e compromissos em defesa dos mananciais. (leia na íntegra no final do texto)

Também participaram do evento os padres Gabriel José Jacinto, da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora; André Vascon, da Paróquia São Luís Gonzaga; e padre Eduardo J. Mac Gettrick, SPS, assessor da Pastoral da Pessoa com Deficiência e Neurodivergente, que acompanha a iniciativa desde suas primeiras edições.
Em clima de oração, reflexão e alegria, os participantes seguiram em caminhada até a marina do parque, às margens da represa, onde foi celebrada a Santa Missa.
Espiritualidade ecológica e cuidado da criação
A celebração eucarística foi presidida pelo vigário-geral da Diocese de Campo Limpo, monsenhor Luís Carlos Parede. Em sua homilia, ele ressaltou a importância da gratidão a Deus pelo dom da criação e recordou os ensinamentos do Papa Francisco sobre a ecologia integral, especialmente presentes na encíclica Laudato Si’.

Ao recordar os vinte anos do Abraço à Guarapiranga, monsenhor Parede convidou os presentes a refletirem sobre a responsabilidade de cada pessoa na preservação da Casa Comum. Após a leitura da Carta Aberta do evento, pediu que todos repetissem em uníssono a frase: “Guarapiranga, a gente te ama”, incentivando que esse amor se traduza em atitudes concretas de cuidado e preservação ambiental.
Devoção mariana e gesto simbólico
Após a comunhão, a catequese do crisma e infantil da Paróquia São Luis Gonzaga realizou a tradicional coroação de Nossa Senhora, encerrando o mês de maio, dedicado à Virgem Maria. O momento foi acompanhado com atenção e emoção pelos presentes, reafirmando a devoção mariana que marca a espiritualidade das comunidades católicas.
Ao final da celebração, todos participaram do simbólico abraço à Represa Guarapiranga. O gesto foi conduzido por monsenhor Luís Carlos Parede e por Regina Paixão, representante do Fórum em Defesa da Vida e da Sociedade Santos Mártires e participante desde a primeira edição do evento.

Mais do que uma tradição, o Abraço à Guarapiranga continua sendo um testemunho público de fé, cidadania e compromisso com a defesa da vida, lembrando que cuidar da água é também cuidar das pessoas e das futuras gerações.
Cada participante recebeu uma muda de Árvores do Coletivo Árvore Generosa para plantar numa praça, numa rua, em casa com o objetivo de arborizar o território em compromisso com o Meio Ambiente.

Carta Abraço Guarapiranga 2026
Irmãos e irmãs,
Reunidos como comunidade de fé, louvamos a Deus Criador, fonte de toda vida, e fazemos memória agradecida do legado do Papa Francisco, que há 11 anos ofereceu ao mundo a encíclica Laudato Si’, um verdadeiro chamado à conversão ecológica e ao cuidado com a nossa Casa Comum.
Hoje, guiados pelo Espírito Santo, seguimos também unidos ao ministério do Papa Leão XIV, que recentemente nos presenteou com a encíclica Magnifica Humanitas, recordando-nos da dignidade da pessoa humana e da responsabilidade de construir um mundo onde a vida seja protegida em todas as suas dimensões.
À luz desses ensinamentos, a Semana Laudato Si 2026 nos convida a dar um passo decisivo: passar da esperança à ação. Porque a esperança cristã não é passiva, ela se concretiza na oração, na vida comunitária e em atitudes reais de cuidado com a criação. A conversão ecológica cresce passo a passo, na restauração das relações, na proteção da natureza e no fortalecimento das comunidades.
Hoje, ao celebrarmos os 20 anos do Abraço Guarapiranga, proclamamos com amor e compromisso: Guarapiranga, a gente te ama!
E quem ama, cuida. Quem ama, protege. Quem ama, não destrói.
A Represa do Guarapiranga é dom de Deus, fonte de vida para milhões de pessoas. No entanto, este dom está ferido: sofre com o desmatamento, com o despejo de esgoto e com ocupações desordenadas que ameaçam sua existência e o futuro do abastecimento de água.
Diante dessa realidade, nossa fé não nos permite a indiferença. Cuidar da água é cuidar da vida. Defender os mananciais é defender o futuro.
Por isso, reafirmamos a urgência da preservação das áreas de mananciais, especialmente em Itapecerica da Serra, nas margens da represa, onde se faz necessária a criação e efetivação do Parque Ecológico na região do Crispim.
Esta iniciativa não é apenas uma ação ambiental, é um compromisso com a vida, com as futuras gerações e com o plano de Deus para a criação. A área impactada pelas obras do Rodoanel precisa ser restaurada e protegida, tornando-se espaço de cuidado, educação ambiental e convivência harmoniosa com a natureza.
Como nos recorda o ensinamento da Igreja, não haverá futuro sem respeito à dignidade humana e sem cuidado com a criação. Somos chamados a escolher o caminho da vida.
Que este Abraço Guarapiranga seja mais do que um gesto simbólico. Que seja um testemunho vivo de fé, esperança e amor em ação.
Que Deus nos conceda coragem para cuidar, sabedoria para preservar e perseverança para lutar pelo bem comum.
E que Maria, Mãe da Criação, nos acompanhe e interceda por nós.
Guarapiranga, a gente te ama, e por isso, nós cuidamos!
Amém.
Forania de M’ Boi Mirim, SP, 30 de maio de 2.026.
Carta elaborada pelo Marcos da Forania Itapecerica.














