Capelania Hospitalar é implantada no Hospital M'Boi Mirim e reforça a missão da Igreja no cuidado aos enfermos

A Diocese de Campo Limpo deu mais um importante passo na presença evangelizadora junto aos enfermos e profissionais da saúde. Na tarde de 7 de julho, Dom Valdir José de Castro presidiu a primeira Santa Missa celebrada no Hospital M'Boi Mirim (Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch), marcando oficialmente o início da Capelania Católica Hospitalar na unidade. A celebração aconteceu no auditório do hospital e representa o início de um serviço permanente de assistência espiritual, fruto da articulação da Coordenação Diocesana da Pastoral da Saúde em diálogo com a direção da instituição.
Concelebraram a Eucaristia o monsenhor Luís Carlos Paredes, vigário-geral e vigário episcopal da Região Episcopal 3; padre Orlando Pereira, vigário forâneo da Forania M'Boi Mirim; padre Antonio Ferreira Gonçalves, pároco da Paróquia São Francisco; padre André Vascon, pároco da Paróquia São Luís Gonzaga; padre José Wilson de Souza, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Esperança; e padre José Valdo do Carmo, pároco da Paróquia Cristo Libertador.

A celebração reuniu representantes da direção do hospital, Renata Donato Janeri, diretora; Aline Cristina Pedroso, gerente de Alta Confiabilidade; e Michele da Silva Brandão Zuppa, coordenadora de Experiência em Saúde, além de colaboradores da instituição, agentes da Pastoral da Saúde e a coordenadora diocesana da pastoral, Maria Benícia Russo, cuja atuação foi decisiva para a implantação da capelania.
Mais do que oferecer celebrações religiosas, a Capelania Hospitalar constitui um espaço permanente de escuta, acolhimento e acompanhamento espiritual, reconhecendo que o cuidado com a pessoa humana também passa por sua dimensão interior.

Jesus caminha no meio do povo
Em sua homilia, Dom Valdir conduziu os participantes a refletirem sobre o Evangelho do dia, destacando que toda celebração eucarística é, antes de tudo, um encontro com Cristo, alimentado pela mesa da Palavra e pela mesa da Eucaristia.
Ao comentar a cura do homem mudo narrada por São Mateus, o bispo ressaltou que Jesus veio para libertar o ser humano de tudo aquilo que o impede de viver plenamente sua dignidade.
"Jesus devolve àquela pessoa a possibilidade de ser ela mesma. Ele devolve sua identidade, sua liberdade e sua capacidade de se expressar. É isso que Jesus faz: quer a vida das pessoas."
Na sequência, Dom Valdir chamou atenção para outro aspecto do Evangelho: Jesus não permanece distante da realidade, mas percorre cidades e povoados, aproximando-se daqueles que sofrem.
"Jesus caminha no meio do povo. Ele não fica olhando a vida pela janela. Vai ao encontro das pessoas, especialmente das que mais sofrem, cura, consola, perdoa e oferece esperança."
Segundo o bispo, esse modo de agir continua sendo o modelo para toda a Igreja, especialmente para aqueles que exercem sua missão no ambiente hospitalar.

Compaixão que se transforma em cuidado
Outro ponto central da reflexão foi a compaixão de Jesus diante das multidões "cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor". Dom Valdir explicou que compadecer-se significa colocar-se no lugar do outro e assumir sua dor.
"Quando encontramos um doente, seja no hospital, em casa ou nas ruas, somos chamados a fazer o que Jesus fazia: ter compaixão. Não basta sentir pena. É preciso aproximar-se, cuidar e ajudar."
O bispo destacou que o cuidado é a essência da missão da Pastoral da Saúde e também de todos os profissionais que atuam diariamente nos hospitais.
"Desde a direção até as equipes de enfermagem, limpeza, recepção, administração e serviços gerais, todos exercem uma missão muito bonita: cuidar da vida."
"A messe é grande"
Ao aprofundar o Evangelho, Dom Valdir refletiu sobre o convite de Jesus para pedir ao Senhor da messe que envie trabalhadores.
Segundo ele, esse chamado não se limita aos sacerdotes ou religiosos, mas alcança todos os batizados.
"A messe é grande e os trabalhadores são poucos. Esses trabalhadores somos todos nós. Cada cristão é chamado a levar o Reino de Deus onde está."
Dirigindo-se especialmente aos agentes da Pastoral da Saúde, afirmou que o serviço realizado junto aos enfermos constitui uma verdadeira expressão do discipulado cristão.
"Ser agente da Pastoral da Saúde é fazer o que Jesus fazia: cuidar. Levar conforto, oração, presença e esperança àqueles que enfrentam a enfermidade."
A esperança que vence o sofrimento
Dom Valdir também recordou que, mesmo diante dos diagnósticos mais difíceis, a fé continua sendo fonte de esperança. Sem negar a importância da ciência, ressaltou que Deus permanece acima de todas as previsões humanas.
"Às vezes a medicina faz um prognóstico, mas Deus está acima de tudo. A esperança nunca pode ser retirada de quem sofre."
O bispo lembrou ainda que, muitas vezes, são os próprios enfermos que oferecem testemunhos de fé capazes de fortalecer aqueles que vão visitá-los.
"Há doentes que, em vez de serem apenas consolados, acabam consolando quem vai ao seu encontro. Encontram um sentido profundo para o sofrimento vivido na fé."
Ao concluir a homilia, Dom Valdir convidou toda a assembleia a colocar sobre o altar a vida dos enfermos, dos profissionais da saúde, da direção do hospital e dos agentes da Pastoral da Saúde.
"Quando valorizamos quem sofre, fazemos o que Jesus fazia. O doente deixa de ser invisível e se sente amado, acolhido e reconhecido em sua dignidade."
Após a celebração, Dom Valdir abençoou um dos departamentos administrativos da instituição e visitou uma criança internada, levando palavras de esperança e proximidade à família.
Com a implantação da Capelania Católica no Hospital M'Boi Mirim, que ainda não tem um capelão responsável, a Diocese de Campo Limpo amplia sua presença junto aos enfermos e reafirma, por meio da Coordenação Diocesana da Pastoral da Saúde, o compromisso de anunciar o Evangelho também nos ambientes hospitalares, testemunhando que evangelizar é cuidar da vida, consolar quem sofre e tornar visível a misericórdia de Cristo.






