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Assembleia Regional Sul 1

Diocese de Campo Limpo participa de assembleia do Regional Sul 1 da CNBB sobre comunicação e dignidade humana

Encontro em Itaici destacou a escuta, a vida comunitária e o compromisso social como caminhos da evangelização.
 |  Thiago Lopes F. Donnini  |  Diocese

A Diocese de Campo Limpo participou, entre os dias 25 e 27 de setembro, da 47ª Assembleia Eclesial do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba. Com o tema “Comunicar a dignidade humana”, o encontro reuniu bispos, presbíteros, diáconos, religiosos, religiosas, leigos e leigas para refletir sobre a missão da Igreja diante das transformações culturais, sociais e tecnológicas. Ao longo dos três dias, momentos de oração, celebrações eucarísticas, exposições, testemunhos e trabalhos por sub-regiões aprofundaram uma convicção: a dignidade de cada pessoa deve orientar a maneira como a Igreja acolhe, comunica, organiza sua vida e realiza sua missão.

Comunicar a partir do encontro

Uma pergunta atravessou os trabalhos: o que precisamos mudar em nossa maneira de comunicar para que a dignidade humana esteja verdadeiramente no centro da ação evangelizadora?

As reflexões ressaltaram a importância das histórias de vida e do testemunho. A maneira como uma pessoa é recebida, escutada e acompanhada comunica a fé e pode abrir caminhos de confiança e pertença. Também foi destacada a necessidade de tornar mais conhecidas as iniciativas que as comunidades já realizam em favor da vida, preservando a intimidade das pessoas atendidas.

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O padre Antônio de Lisboa Lustosa Lopes apresentou o caminho dos discípulos de Emaús como referência para a ação pastoral: aproximar-se, caminhar junto, escutar, iluminar a realidade pela Palavra e conduzir à comunhão eucarística e à missão. A imagem da Igreja como “tenda do encontro” ganhou expressão concreta no chamado a oferecer informações compreensíveis, canais de contato que funcionem, acolhida e participação.

Na cultura digital, três desafios receberam atenção especial: atenção, confiança e pertença. Diante da velocidade dos conteúdos, da desinformação e do fechamento em grupos que pouco dialogam entre si, a comunicação cristã é chamada a cultivar o tempo da escuta, verificar informações e fortalecer vínculos comunitários. O uso da inteligência artificial também foi abordado, com destaque para a responsabilidade humana, a proteção de dados e a necessidade de preservar o acompanhamento pessoal.

Dignidade e Doutrina Social da Igreja

A dignidade humana foi apresentada como um valor que permanece em todas as circunstâncias, independentemente da capacidade produtiva, da idade, da saúde ou da condição social. Essa compreensão exige consequências práticas: linguagem acessível, inclusão das pessoas com deficiência, proteção dos vulneráveis, prevenção de abusos e respeito à intimidade.

A Assembleia destacou a necessidade de ampliar o conhecimento e a vivência da Doutrina Social da Igreja. Dignidade da pessoa, bem comum, destinação universal dos bens, subsidiariedade, solidariedade e participação foram apresentados como critérios para orientar também as escolhas das comunidades e paróquias.

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Nesse horizonte, a caridade foi compreendida em suas dimensões assistencial, promocional e transformadora: atender necessidades imediatas, favorecer o desenvolvimento das pessoas e enfrentar as estruturas que produzem injustiça e exclusão. O desenvolvimento humano integral e a dignidade do trabalho também estiveram presentes nas reflexões.

Escuta, corresponsabilidade e caminhada sinodal

Os trabalhos por sub-regiões convergiram para a necessidade de qualificar as relações, fortalecer a vida comunitária e ampliar a corresponsabilidade. A Sub-região São Paulo ressaltou a escuta paciente, o diálogo com quem pensa diferente, a acessibilidade e a circulação de experiências entre pastorais, paróquias e dioceses. A participação deve produzir consequências perceptíveis nas decisões e nos caminhos pastorais. Por isso, foram valorizadas a transparência, a apresentação das razões das escolhas e a avaliação das ações realizadas.

Cuidar das pessoas, das famílias e de quem cuida

O painel conduzido por Márcio Gagliato, especialista em saúde mental em situações de crise, trouxe experiências de atuação em contextos de guerra e deslocamento forçado. A pergunta “Como encontrar alguém que se importa?” expressou a importância de uma presença capaz de reconhecer o sofrimento e reconstruir vínculos.

Em outras reflexões da assembleia, o cuidado com os próprios agentes pastorais, sacerdotes e lideranças também foi destacado. Quem acompanha as fragilidades dos outros precisa encontrar espaços de escuta, apoio e fraternidade.

Compromisso com o território e com a vida

As comunicações pastorais trouxeram situações concretas que interpelam a missão da Igreja: as enchentes no Vale do Ribeira, a precariedade habitacional, a realidade das pessoas privadas de liberdade, a presença dos povos indígenas e o cuidado com crianças, idosos e pessoas vulneráveis. Foi reforçada a articulação das pastorais sociotransformadoras, cujo grupo de trabalho regional conta com a participação do padre José Nelson, da Diocese de Campo Limpo.

A Assembleia também aprovou uma mensagem sobre as eleições, defendendo a paz, o respeito à diversidade de opiniões e a participação cidadã consciente, comprometida com a democracia, a dignidade humana, a ecologia integral e a proteção social dos mais vulneráveis.

A memória eclesial teve espaço por meio de uma exposição sobre o Concílio Vaticano II e da apresentação da Comissão dos Bens Culturais da Igreja no Regional Sul 1. A preservação de arquivos, documentos, obras e demais bens culturais foi reconhecida como parte do cuidado com a história e a identidade das comunidades.

Para a caminhada diocesana, permanece o chamado a traduzir essas reflexões em relações e práticas cotidianas: comunidades que escutem, acolham, compartilhem responsabilidades e façam da comunhão celebrada um compromisso com a dignidade de cada pessoa.