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Ordenação Presbiteral

Mãos ungidas para servir: Diocese de Campo Limpo acolhe seu novo presbítero

Bruno Santana foi ordenado presbítero por Dom Valdir José de Castro na Paróquia Santa Margarida Maria Alacoque; homilia destacou proximidade com o povo, fraternidade sacerdotal e compromisso com os mais vulneráveis.
 |  Andrea Rodrigues  |  Diocese

Há momentos em que uma pausa diz tanto quanto as palavras. Na manhã de 24 de outubro, diante de um jovem prestes a se tornar padre e de uma igreja reunida para testemunhar sua ordenação, Dom Valdir José de Castro falava sobre aqueles que nem sempre são vistos. Os pobres. Os marginalizados. Os que permanecem invisíveis mesmo estando perto. A voz do bispo se desfez em emoção. Por cerca de um minuto e meio, Dom Valdir não conseguiu continuar.

A assembleia esperou. O diácono Bruno Santana ouviu. E aquele silêncio inesperado no meio da homilia acabou traduzindo parte da missão que, poucos minutos depois, seria confiada às suas mãos: ser presbítero também significa aprender a enxergar quem o mundo tantas vezes não vê.

Foi em uma manhã marcada por gestos, palavras, lágrimas e muitos abraços que a Diocese de Campo Limpo ganhou um novo sacerdote.

Às 9h, na Paróquia Santa Margarida Maria Alacoque, no Jardim Margarida, em Taboão da Serra, o diácono Bruno Santana recebeu, pela imposição das mãos e oração consecratória de Dom Valdir, o segundo grau do Sacramento da Ordem, tornando-se presbítero da Igreja.

O lugar escolhido para a ordenação guardava uma continuidade particular em sua caminhada. Foi naquela mesma comunidade que, em 19 de março deste ano, Bruno havia sido ordenado diácono transitório e onde, após a conclusão dos estudos, passou a realizar seu estágio pastoral. Sete meses depois, retornava ao centro da mesma igreja para dar mais um passo definitivo em sua resposta vocacional.

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Padre Bruno Santana ao lado dos pais. — Imagem: Andrea Rodrigues.

Participaram da celebração Dom Luiz Antônio Guedes, bispo emérito de Campo Limpo; Mons. Luiz Carlos Paredes, Vigário Geral; padre Marcos Patrício, reitor do Seminário Nossa Senhora Aparecida; padre Amauri Batista, vice-reitor; padre Lidionor Sampaio, ex-reitor que acompanhou parte significativa da formação de Bruno; além de sacerdotes, familiares, amigos, seminaristas e membros da comunidade.

“Fui eu que vos escolhi”

Antes que as mãos fossem impostas sobre Bruno, era preciso recordar por que ele estava ali.

Na homilia, Dom Valdir voltou ao princípio de toda vocação: ninguém se torna sacerdote por mérito próprio ou porque seja melhor do que os demais. O chamado nasce de uma iniciativa gratuita de Deus.

“Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi”, recordou o bispo, retomando as palavras de Jesus.

A história de uma vocação, portanto, não começa no dia da ordenação. Ela é construída entre chamados e respostas, certezas e discernimentos, formação e vida comunitária. E também não termina quando o candidato recebe o Sacramento da Ordem.

Aquele “sim”, ressaltou Dom Valdir, precisará ser pronunciado novamente. Uma segunda vez. Uma terceira. Uma quarta. E tantas outras quantas forem necessárias ao longo do ministério.

Ao novo presbítero caberá anunciar a Palavra, apascentar o povo de Deus e celebrar os mistérios da fé, particularmente a Eucaristia e os sacramentos da Reconciliação e da Unção dos Enfermos. Mas, para Dom Valdir, cumprir essas funções somente encontra pleno sentido quando o sacerdote permanece próximo daqueles aos quais foi enviado. É um ministério que se realiza entre pessoas.

Quando faltaram as palavras

Foi ao falar sobre essa proximidade que a homilia alcançou um de seus momentos mais marcantes.

A partir da Carta aos Hebreus, Dom Valdir recordou que o sacerdote é chamado a ter compaixão daqueles que estão na ignorância e no erro, porque ele próprio também conhece a fragilidade humana.

Então, dirigindo sua reflexão para a realidade pastoral da Diocese de Campo Limpo, falou da necessidade de uma atenção prioritária aos pobres, aos marginalizados e àqueles que tantas vezes permanecem invisíveis.

A emoção interrompeu a frase.

Durante aproximadamente um minuto e meio, o bispo permaneceu sem conseguir falar. Não era um silêncio previsto pelo rito. Tampouco precisava ser explicado. Diante da assembleia, a pausa tornou visível o peso que aquelas vidas tinham sobre suas palavras.

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Quando retomou a homilia, permaneceu o apelo para que o ministério sacerdotal não seja indiferente às diferentes formas de pobreza, humanas, sociais e espirituais.

Para o novo padre, a orientação apontava para uma escolha pastoral: não passar ao lado daqueles que sofrem, mas aproximar-se deles como fez Jesus, o Bom Pastor, que veio para que todos tenham vida.

Naquela manhã, antes mesmo de receber uma missão paroquial, Bruno recebia uma direção para o ministério: enxergar.

Padre entre padres, irmão entre irmãos

Dom Valdir também voltou o olhar para o próprio presbitério. O sacerdócio, lembrou, não deve ser vivido isoladamente. Em uma Igreja que busca caminhar de forma sinodal, a fraternidade entre os padres precisa ultrapassar discursos e tornar-se experiência concreta de amizade, comunhão e corresponsabilidade.

Isso significa superar competições e individualismos e compreender o outro sacerdote não como concorrente, mas como irmão na mesma missão.

A amizade com Cristo, afirmou o bispo, precisa encontrar correspondência também na amizade entre os sacerdotes e na relação deles com o bispo. Uma comunidade verdadeiramente sinodal dificilmente poderá nascer onde seus próprios ministros não conseguem caminhar juntos.

Mas nenhuma dessas exigências se sustenta apenas pela disposição humana.

Dom Valdir indicou ao futuro sacerdote onde buscar forças para permanecer fiel: na oração constante, na meditação da Palavra de Deus, na Eucaristia, na devoção à Virgem Maria e aos santos e, sobretudo, na amizade cotidiana com Jesus Cristo.

O desafio apresentado ao diácono Bruno foi o de “alargar a tenda do coração”: olhar menos para aquilo que poderá receber do ministério e mais para aquilo que poderá oferecer ao povo que lhe for confiado.

Mãos que recebem uma missão

Antes da homilia, as palavras já davam lugar aos gestos. Padre Marcos Patrício, reitor do Seminário Nossa Senhora Aparecida, apresentou o candidato e pediu ao bispo, em nome da Igreja, que Bruno fosse ordenado presbítero. Atestada sua aptidão, Dom Valdir prosseguiu com a homilia, e em seguidas os outros momentos do rito.

Vieram então as promessas. Depois, prostrado no chão diante do altar, Bruno permaneceu em oração enquanto a Igreja invocava a intercessão dos santos. Ao se levantar, aproximou-se novamente do bispo. De joelhos e em silêncio, recebeu sobre a cabeça as mãos de Dom Valdir. Depois dele, um a um, os sacerdotes presentes repetiram o mesmo gesto.

A imposição das mãos, acompanhada pela prece de ordenação, constitui o centro do rito pelo qual o diácono é ordenado presbítero. Naquele instante, sem discursos e sem aplausos, a sucessão de mãos colocadas sobre a cabeça do candidato expressava também sua entrada em um presbitério que, dali em diante, seria o seu.

Pouco depois, as vestes do diácono deram lugar às vestes sacerdotais. A estola presbiteral e a casula, entregues por seus pais aos padres César Silva Rossi e Gian Paulo Rangel Ruzzi, foram colocadas sobre o novo sacerdote.

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Pe. Gian e padre Cesar ajudaram na vestição do padre. — Imagem: Andrea Rodrigues.

Então, novamente, as mãos ganharam protagonismo. Ajoelhado diante de Dom Valdir, Bruno teve as palmas ungidas com o Santo Crisma. Mãos consagradas para abençoar, celebrar a Eucaristia, reconciliar e servir. Após a unção, elas foram envolvidas. Coube à mãe do novo padre desatá-las.

Era a mesma mãe que, ao lado do pai, havia acompanhado o caminho que levou o filho até aquele altar. Agora, depois de libertar suas mãos recém-ungidas, os dois se colocaram diante dele para receber sua primeira bênção sacerdotal.

Por alguns instantes, os papéis pareciam se inverter: aqueles que tantas vezes haviam abençoado o caminho do filho eram agora abençoados por ele.

Um novo irmão no presbitério

A acolhida dos sacerdotes acrescentou outra cena de forte significado à celebração. Um a um, os padres aproximaram-se de Bruno. Beijaram suas mãos recém-ungidas e o receberam com abraços e palavras reservadas à proximidade daquele momento. Entre sorrisos e lágrimas, o gesto tornava concreto aquilo que Dom Valdir havia pedido pouco antes na homilia: fraternidade sacerdotal.

Bruno já não estava diante deles apenas como seminarista ou diácono. Era padre entre padres.

A celebração prosseguiu com o novo presbítero concelebrando pela primeira vez a Eucaristia.

Antes dos agradecimentos, o padre Ezaques Tavares, pároco da Paróquia Santa Margarida Maria Alacoque, realizou a leitura da ata da ordenação, posteriormente assinada por Dom Valdir, pelo novo sacerdote e pelos presbíteros presentes.

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Ainda havia, porém, uma notícia aguardada pela comunidade.

Dom Valdir anunciou que o primeiro destino pastoral do padre Bruno Santana seria justamente o lugar onde aquela história sacerdotal começava. O novo presbítero permanecerá na Paróquia Santa Margarida Maria Alacoque, agora no ofício de Vigário Paroquial. A resposta veio imediatamente dos bancos da igreja: um longo aplauso.

Para uma comunidade que havia acompanhado Bruno durante o estágio pastoral, acolhido sua ordenação diaconal e, meses depois, testemunhado sua ordenação presbiteral, a notícia significava que a despedida não aconteceria naquele dia.

O primeiro dia de muitos

Ao final da celebração, já como padre Bruno, o novo sacerdote tomou a palavra para agradecer. Entre sorrisos, emoção e um nervosismo que ainda escapava em alguns momentos, dirigiu-se às pessoas que fizeram parte de sua caminhada até ali. Depois, fora do rito, a comunidade prolongou a festa em uma recepção preparada para familiares, sacerdotes, amigos e paroquianos.

A ordenação havia terminado.

O sacerdócio, porém, apenas começava.

As mãos ungidas naquela manhã não demorariam a retornar ao altar. Na mesma noite, na Paróquia Todos os Santos, sua comunidade de origem, padre Bruno celebraria pela primeira vez a Eucaristia como presbítero. Ali começaria, de maneira concreta, o cotidiano de um ministério que se estenderá muito além daquele primeiro dia.

Serão mãos erguidas para abençoar, estendidas para acolher e colocadas a serviço. Mãos que sustentarão o pão e o cálice, oferecerão a reconciliação, levarão conforto aos enfermos e encontrarão tantas outras mãos, entre elas, as daqueles que experimentam a pobreza, o abandono e a invisibilidade.

Talvez seja justamente nesses encontros que aquele longo silêncio de Dom Valdir, no meio da homilia, continue encontrando palavras. Porque, quando os ritos terminam, os aplausos cessam e a festa se torna memória, permanece aquilo que nenhuma ordenação encerra: o chamado.

Para padre Bruno Santana, o “sim” pronunciado diante de Deus naquela manhã precisará ser novamente escolhido no dia seguinte, e em cada novo dia de seu ministério.

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