Dom Emílio Pignoli: 50 anos de episcopado a serviço do Evangelho

Há cinquenta anos, em 24 de junho de 1976, a Igreja recebia um novo bispo. Naquele dia, na cidade de Orlândia (SP), o então padre Emílio Pignoli era ordenado episcopalmente pelas mãos do núncio apostólico Dom Carmine Rocco. O que poucos poderiam imaginar era que aquele sacerdote italiano, que chegara ao Brasil com uma mala simples, sem dominar a língua portuguesa e movido apenas pelo desejo de servir à missão da Igreja, deixaria uma marca profunda na história de milhares de pessoas e se tornaria o primeiro bispo da Diocese de Campo Limpo.

Ao celebrar seu Jubileu de Ouro Episcopal, Dom Emílio contempla uma trajetória que atravessa continentes, guerras, transformações da Igreja e o crescimento de uma das regiões mais populosas da cidade de São Paulo. Uma história construída com fé, coragem missionária e amor ao povo de Deus.
Nascido em 14 de dezembro de 1932, em Cappella Picenardi, na província de Cremona, norte da Itália, Dom Emílio cresceu em uma família profundamente cristã. Ainda menino, sentiu o chamado ao sacerdócio. Seu ingresso no seminário, porém, coincidiu com um dos períodos mais difíceis da história mundial. Em plena Segunda Guerra Mundial, o seminário de Cremona foi transformado em hospital militar pelas tropas alemãs.
A formação continuou de forma improvisada em pequenas paróquias. Entre bombardeios, refugiados e incertezas, o jovem seminarista aprendeu lições que levaria para toda a vida: a confiança em Deus, a solidariedade e a importância da comunidade. Anos depois, recordaria com gratidão aquele período em que estudar, rezar e servir caminhavam juntos.
Foi também no seminário que amadureceu sua vocação missionária. O apelo do Papa Pio XII para que sacerdotes europeus ajudassem a evangelização na América Latina encontrou eco em seu coração. Em 1953, aos 20 anos, desembarcou no Brasil disposto a construir aqui sua vida sacerdotal.
Ordenado presbítero em 29 de junho de 1957, dedicou os primeiros anos do ministério à formação de seminaristas e à promoção vocacional. Posteriormente, assumiu a Paróquia São José, em Orlândia, onde permaneceu por onze anos. Ali consolidou seu estilo pastoral próximo das pessoas, atento às famílias e comprometido com a formação das comunidades.
Em 29 de abril de 1976, o Papa Paulo VI o nomeou bispo da Diocese de Mogi das Cruzes. O anúncio, como ele mesmo costuma recordar, foi recebido com surpresa. Começava então uma nova etapa de sua missão.
Durante treze anos em Mogi das Cruzes, Dom Emílio promoveu importantes iniciativas pastorais e sociais. Criou novas paróquias, fortaleceu a Cáritas Diocesana, incentivou a Pastoral Familiar, a juventude e os movimentos eclesiais, além de investir na formação de novos sacerdotes por meio da implantação do Seminário Sagrado Coração de Jesus.
Mas o maior desafio de sua vida episcopal ainda estava por chegar
Em 15 de março de 1989, o Papa São João Paulo II criou a Diocese de Campo Limpo. A nova Igreja Particular nascia em uma região marcada por forte crescimento populacional, grandes desafios sociais e enorme diversidade pastoral. Para conduzir essa missão, foi escolhido justamente Dom Emílio.
Quando chegou à região, encontrou uma Diocese sem estruturas consolidadas, sem catedral e sem os organismos necessários para seu funcionamento. Antes de planejar obras ou criar instituições, decidiu conhecer o povo. Visitou comunidades, ouviu lideranças, dialogou com padres e leigos. A escuta tornou-se uma das marcas de seu pastoreio.

A partir desse trabalho paciente e perseverante, lançou as bases da Diocese. Estruturou a cúria, formou conselhos, promoveu assembleias, elaborou planos pastorais e consolidou uma cultura de participação que permanece presente até hoje.
Ao longo de dezenove anos à frente da Diocese de Campo Limpo, Dom Emílio acompanhou um crescimento impressionante da Igreja local. Foram criadas cerca de cem novas paróquias, ordenados mais de 137 sacerdotes, construíu o Centro Pastoral e a moderna Catedral Sagrada Família, símbolo da unidade diocesana.
Seu olhar, porém, nunca se limitou às estruturas. Incentivou projetos sociais, fortaleceu a Cáritas, apoiou iniciativas de alfabetização de adultos e promoveu parcerias em favor das populações mais vulneráveis. Evangelização e promoção humana sempre caminharam juntas em seu ministério.
As vocações sempre ocuparam um lugar especial em seu coração. Formador por vocação e pastor por excelência, dedicou grande parte de sua vida a incentivar jovens a responderem ao chamado de Deus. Muitos dos sacerdotes que hoje servem à Diocese de Campo Limpo encontraram nele um exemplo de dedicação, simplicidade e amor à Igreja.

Hoje, aos 93 anos, Dom Emílio vive na Casa do Padre, onde recebe todos os cuidados necessários. O tempo tornou mais frágil o seu corpo e já não lhe permite recordar com clareza todos os acontecimentos de uma vida tão intensa e fecunda. No entanto, permanece fiel àquilo que sempre sustentou sua caminhada: a oração. Entre os companheiros de residência, continua sendo presença serena e discreta, sempre com suas vestes bem alinhadas, o terno cuidadosamente ajustado e a elegância que o acompanhou ao longo da vida. Cercado pelo carinho de quem o assiste diariamente, segue testemunhando, agora no silêncio e na simplicidade, a mesma fidelidade a Deus que marcou seus cinquenta anos de ministério episcopal.
Ao celebrar este Jubileu de Ouro Episcopal, a Diocese de Campo Limpo rende graças a Deus pelo dom de sua vida e de sua missão. Mais do que recordar números, obras ou datas, este jubileu é uma oportunidade de reconhecer a história de um pastor que ajudou a transformar uma realidade em Igreja viva, missionária e comprometida com o Reino de Deus. Cinquenta anos depois de sua ordenação episcopal, o legado de Dom Emílio continua presente nas comunidades que ajudou a formar, nos sacerdotes que incentivou, nas famílias que acompanhou e na fé de um povo que aprendeu a caminhar unido sob o seu pastoreio.





