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Muticom Diocesano

II MUTICOM reúne comunicadores para refletir sobre evangelização e os desafios da comunicação digital

Encontro da Pascom Diocesana reuniu 150 participantes e promoveu formação sobre inteligência artificial, comunicação pastoral e o testemunho cristão.
 |  Andrea Rodrigues  |  Diocese

A Pastoral Diocesana da Comunicação realizou, no sábado, 26 de setembro, o II MUTICOM – Mutirão de Comunicação, no Auditório São Paulo Apóstolo, na Cúria Diocesana. Com o tema “Comunicação Pastoral e Evangelização”, o encontro reuniu cerca de 150 participantes em uma programação dedicada à formação, à partilha de experiências e à reflexão sobre os desafios da comunicação na missão evangelizadora da Igreja.

A programação teve início na noite anterior, sexta-feira, em formato on-line, como um momento de preparação para o encontro presencial. O “esquenta” contou com a participação do padre Fabiano Roberto dos Santos, da Arquidiocese de Uberaba, que abordou o tema “O chamado não suporta espera”. O momento terminou com espaço para perguntas e partilhas, marcado também pela emoção dos participantes.

No sábado, a programação começou com a Santa Missa, celebrada na Capela da Catedral. A celebração foi presidida pelo padre Rodrigo Antônio da Silva, Vigário Episcopal para a Comunicação, e concelebrada pelo padre Pe. Osei Tutu Asante, svd  ou padre “Tutu”, da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, Vila das Belezas.



Comunicação que nasce do encontro com Cristo

Na homilia, padre Rodrigo destacou que a comunicação pastoral não pode ser reduzida ao uso de câmeras, redes sociais ou outras ferramentas. Embora esses recursos sejam importantes, a missão do comunicador cristão encontra seu fundamento em uma experiência pessoal com Jesus.

Partindo da reflexão apresentada pelo padre Fabiano na abertura do MUTICOM, afirmou que a comunicação pastoral nasce de uma experiência vivencial que se transforma em testemunho. Mais do que transmitir informações, trata-se de comunicar de maneira capaz de provocar reflexão e despertar nas pessoas uma abertura para o encontro com Deus.

“Antes de sermos comunicadores ou agentes de pastoral, precisamos ser discípulos de Jesus”, destacou. Para ele, quem comunica na Igreja não transmite apenas atividades ou conteúdos, mas o próprio Cristo. Essa missão exige intimidade, convivência e uma experiência contínua com o Senhor.

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A relação de Pedro com Jesus foi apresentada como exemplo. Sua profissão de fé nasce não apenas da ação do Espírito Santo, mas também da convivência com o Mestre, de quem ouviu os ensinamentos e acompanhou os gestos. Da mesma forma, o comunicador pastoral é chamado a comunicar a partir de uma experiência verdadeira de fé.

O sacerdote também recordou que os agentes de pastoral não estão na Igreja apenas para cumprir tarefas. A missão nasce do discipulado e, quanto mais profunda a experiência com Cristo, mais autêntico se torna o testemunho.

A reflexão destacou ainda a necessidade de sabedoria e equilíbrio diante dos desafios atuais. As leituras dos Livros de Sabedoria foram apresentadas como inspiração para um “bem viver” próximo de Deus. Para o comunicador pastoral, essa sabedoria ajuda a discernir caminhos, evitar extremos e abrir espaço à ação do Espírito Santo.

Formação e partilha

Após a celebração, os participantes realizaram o credenciamento e compartilharam o café da manhã antes da primeira palestra do dia, conduzida pelo teólogo e missionário digital Raylson Araújo, que abordou o tema “A Magnífica Humanidade na Era Digital: O Desafio da Pascom Frente à Inteligência Artificial”.

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LRaylson Araújo, teólogo e missionário digital. — Imagem: Marcus Simi.

Na sequência, uma roda de conversa conduzida pela coordenadora diocesana da Pascom, Andreia Conrado, e pelo assessor diocesano da Comunicação, padre Rodrigo Antônio da Silva, reuniu agentes das pastorais de comunicação das paróquias. A partir de seis perguntas sobre a realidade da Pascom, os participantes partilharam experiências, acertos, receios e desafios, em um momento marcado pela participação e pela troca de informações.

O almoço também foi espaço de convivência, fraternidade e reencontro entre os comunicadores. Dom Valdir José de Castro, bispo diocesano, não pôde participar presencialmente por estar na 47ª Assembleia do Regional Sul 1, mas enviou uma mensagem em vídeo aos participantes.

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Roda de conversa com pasconeiros. — Imagem: Marcus Simi.

No período da tarde, a programação continuou com a oficina “Inteligência Artificial na Pascom: o discernimento e a técnica”, conduzida por Luiz Claudio, assessor da Pastoral da Comunicação do Sul 1, e Andrew Murilo Cerqueira, profissional da área de comunicação e tecnologia e coordenador de projetos. A atividade propôs exercícios práticos para ajudar os comunicadores a compreender melhor as possibilidades e os desafios do uso da inteligência artificial na pastoral.

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Andrew, coordenador de projetos. — Imagem: Morgado.

Encerrando a programação formativa, o jornalista, doutor em Comunicação e Semiótica e pesquisador na área de comunicação e religião, Marcello Zanluchi, apresentou a palestra “Comunicação Pastoral e Evangelização Persuasiva”.

Em sua reflexão, provocou os participantes a olhar para além da busca por visibilidade nas redes. “O que pode existir além da preocupação pelo ‘like’?”, questionou. A partir de sua trajetória de pesquisa, experiências pastorais e atuação junto a instituições de comunicação do Vaticano, destacou que nenhum algoritmo substitui a força de um gesto, de um olhar, da escuta ativa e de uma presença capaz de comunicar amor e sentido.

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LDoutor Marcello Zanluchi mostra a importância de redescobrir uma comunicação que evangeliza. — Imagem: Morgado.

Zanluchi convidou a Pascom a redescobrir uma comunicação que evangeliza também por meio da gestualidade e da presença. A proposta foi um convite para que os participantes refletissem sobre como comunicar não apenas por meio das ferramentas digitais, mas também com a própria vida, com o corpo e com a verdade.

Ao longo de um dia de formação, partilha e convivência, o II MUTICOM reafirmou que comunicar na Igreja é uma missão que une técnica e espiritualidade. Mais do que aprender a utilizar novas ferramentas, os participantes foram convidados a fortalecer a identidade de comunicadores que encontram em Cristo a fonte de sua missão e fazem da comunicação um caminho de evangelização.