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Jubileu de Pérola

Paróquia Santa Suzana celebra 30 anos e inicia novo capítulo de sua história com São Carlo Acutis

No Jubileu de Pérola, comunidade celebra três décadas de criação paroquial, recorda aqueles que construíram sua história e acolhe o jovem santo como co-padroeiro e inspiração para uma nova geração.
 |  Andrea Rodrigues  |  Paróquias

Trinta anos de uma paróquia não cabem apenas no calendário. Estão nos nomes de quem chegou primeiro, nas mãos que ajudaram a levantar paredes, nas famílias que permaneceram, nos padres que passaram, nas crianças que cresceram dentro da comunidade e nas novas gerações que agora são chamadas a continuar uma história iniciada muito antes delas.

Foi cercada por essa memória que a Paróquia Santa Suzana celebrou, no dia 12 de outubro, solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, seu Jubileu de Pérola. Mas a celebração dos 30 anos não se limitou a olhar para trás. Diante da comunidade reunida, começou também um novo capítulo: São Carlo Acutis foi oficialmente acolhido como co-padroeiro e, desde então, a comunidade passa a se chamar Paróquia Santa Suzana e São Carlo Acutis.

A Missa solene foi presidida por Dom Valdir José de Castro, ssp, bispo diocesano, e concelebrada pelo pároco, padre Manoel Corrêa Viana Neto, que também vive em 2026 um jubileu particular: são 30 anos de ministério sacerdotal e 30 anos de presença na paróquia. Concelebraram ainda padre Rodrigo Custódio Andrade, incardinado na Diocese de Campo Limpo desde 1º de outubro e vigário paroquial; Frei Guilherme Pereira Anselmo Junior, vigário paroquial; Dom Plácido Guarnieri, OSB, paróquia São Bento; e padre João Carlos Justino, assessor eclesiástico do Caminho Neocatecumenal. Participou também o diácono permanente Argeu Tavares.

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Padre Manoel Viana, lê ata de criação do co-padroeiro. — Imagem: Andrea Rodrigues.

Logo no início da celebração, padre Manoel leu o decreto que oficializou a inclusão de São Carlo Acutis como co-padroeiro. O desejo, cultivado pela própria comunidade, encontrou resposta em uma longa salva de palmas. Em seguida, a imagem do jovem santo foi entronizada, abençoada e incensada por Dom Valdir, juntamente com a imagem de Santa Suzana.

“Dois santos jovens, um dos primeiros séculos e um bastante atual, ambos jovens. Que o exemplo deles nos ajude na evangelização e no testemunho cristão”, afirmou o bispo.

A escolha estabelece uma ponte entre tempos muito diferentes. De um lado, Santa Suzana, jovem mártir dos primeiros séculos do cristianismo; de outro, Carlo Acutis, adolescente do nosso tempo, profundamente ligado à Eucaristia e capaz de enxergar também no universo digital um espaço para anunciar Jesus. A devoção a Carlo na paróquia não nasceu com sua canonização. A comunidade já caminhava com ele desde outubro de 2020, quando foi beatificado.

O vinho novo de uma história que continua

Na homilia, Dom Valdir partiu do Evangelho das Bodas de Caná e encontrou na atitude de Maria uma chave para compreender não apenas a festa de Nossa Senhora Aparecida, mas também a própria missão cristã.

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Maria percebe antes dos outros que algo está faltando. É, como destacou o bispo, uma mulher “atenta, sensível, com os pés na realidade”. Ao notar que o vinho estava acabando, não permaneceu indiferente ao constrangimento que se aproximava. Voltou-se para Jesus e, depois, deixou aos serventes uma orientação que atravessaria os séculos: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.

Para Dom Valdir, é justamente aí que está um programa de vida para os cristãos. Fazer aquilo que Jesus diz significa transportar o Evangelho para as relações concretas: amar, reconciliar-se, repartir o pão, acolher, perdoar e abandonar a tentação de olhar o outro de cima para baixo.

O vinho transformado em Caná também ganhou, na reflexão do bispo, outro significado. É o vinho novo dos tempos messiânicos, sinal da alegria trazida por Cristo. E é uma alegria que encontra sua expressão mais profunda na Eucaristia.

Foi nesse ponto que a figura do novo co-padroeiro apareceu com ainda mais força

Dom Valdir recordou uma das expressões que resumem a espiritualidade de Carlo: “Estar sempre unido a Jesus, eis o meu programa de vida.” Uma frase simples para um caminho igualmente simples e exigente: a santidade nasce da união com Cristo e pode ser vivida no cotidiano.

Carlo morreu aos 15 anos, mas compreendeu cedo aquilo que tantas pessoas passam uma vida procurando. “Encontre Deus e encontrará o sentido da vida”, recordou o bispo ao falar do jovem santo. Assim como o vinho novo devolveu sentido à festa de Caná, o encontro com Cristo é capaz de oferecer sentido à existência, inclusive em meio às dificuldades.

Sua relação com Jesus encontrou na Eucaristia um centro. “A Eucaristia é estrada para o céu”, dizia Carlo. Mas sua espiritualidade não terminou diante do sacrário. O jovem doava parte de sua mesada aos pobres, ajudava pessoas necessitadas e atuava como voluntário. Para Dom Valdir, está aí uma lição indispensável: não há sentido em adorar Jesus na Eucaristia sem reconhecê-lo também naquele que precisa de ajuda.

Um santo da geração conectada

Carlo também soube evangelizar no território que conhecia bem: a internet. Utilizou seus conhecimentos para catalogar milagres eucarísticos e aparições marianas, percebendo que a tecnologia poderia servir não somente à distração, mas ao anúncio do Evangelho.

A reflexão encontrou eco direto na realidade atual. Dom Valdir chamou a atenção para uma sociedade cercada por telas, celulares, redes sociais, polarizações e grupos que, muitas vezes, deixam de dialogar entre si. Nesse ambiente, a conhecida frase de Carlo, “Todos nascemos originais, mas muitos morrem como cópias”, torna-se também uma provocação.

Em vez de reproduzir violência, intolerância e preconceitos, o cristão é chamado a usar esses espaços para construir comunhão. Carlo, observou o bispo, descobriu que a internet poderia ser um instrumento de evangelização. O desafio é fazer a mesma descoberta hoje.

E se o novo co-padroeiro tem rosto jovem, isso não acontece por acaso. A intenção é também aproximar as novas gerações da vida paroquial e recordar que os jovens não são apenas uma promessa para amanhã: fazem parte da Igreja de hoje.

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Antes dos 30 anos

Quando a celebração se aproximava do fim, a memória ganhou nomes

Em seu discurso, padre Manoel percorreu uma história que começou antes mesmo da criação oficial da paróquia. Voltou à década de 1970, quando famílias do Portal do Morumbi começaram a se reunir para rezar e mães buscavam um lugar onde os filhos pudessem receber catequese. Recordou Frei Xavier, ligado à então realidade eclesial da região, e também a primeira Eucaristia celebrada por Dom Emílio Pignoli naquela comunidade.

A história cresceu porque encontrou pessoas dispostas a oferecer algo de si

Padre Manoel recordou Natália Neumann, responsável pela doação do terreno da Imaculada Conceição, e a família Silva de Campos, que havia doado o terreno onde hoje está a paróquia. Recordou também lideranças leigas cuja presença atravessou os anos, entre elas Rosa Lúcia, José Eduardo e Regiane, além daqueles que já concluíram sua caminhada terrena.

Vieram depois as etapas da construção da igreja, que já avançou muito, as necessidades de cada tempo, as festas, campanhas e tantos braços que fizeram com que aquilo que existia primeiro como desejo comunitário ganhasse paredes, altar e vida pastoral.

Nessa memória, padre Manoel também agradeceu às pessoas que participaram e participam diretamente da construção da matriz, mencionando Renato e Fátima, Murilo e Silvia, Edson, Lucy Meire, Paulo, Lídia, Marcos e Alice, Paulo e Rita, entre tantos outros que, de maneiras diferentes, ajudam a sustentar a caminhada.

São nomes que explicam por que o Jubileu de Pérola não pertence somente a uma data. Ele pertence às pessoas.

Duas juventudes, uma mesma direção

A liturgia daquele 12 de outubro também tornou visível essa união entre passado e futuro. O canto foi conduzido pelo coral adulto e pelo coral infantil, e a própria comunidade preparou um hino dedicado aos padroeiros, com composição e melodia próprias.

No altar, as imagens de Santa Suzana e São Carlo Acutis resumiam silenciosamente o que a comunidade celebrava: dois jovens separados por muitos séculos, mas unidos pelo testemunho de uma vida orientada para Cristo.

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Aos 30 anos, a paróquia chega a uma espécie de encruzilhada bonita da própria história. Carrega consigo aqueles que abriram os primeiros caminhos, os que doaram terrenos, organizaram comunidades, construíram a igreja, serviram nas pastorais e transmitiram a fé. Ao mesmo tempo, escolhe como companheiro um santo adolescente, filho de uma época de computadores, internet e redes sociais.

Talvez esteja justamente aí a força do jubileu celebrado pela comunidade: honrar aquilo que foi construído sem transformar a memória em lugar de permanência.

Em Caná, quando o vinho faltou, Maria percebeu, confiou em Jesus e pediu aos serventes que fizessem aquilo que Ele dissesse. A água então se tornou vinho novo e a festa pôde continuar.

Trinta anos depois de sua criação, a Paróquia Santa Suzana e São Carlo Acutis também continua a festa. Com memória suficiente para reconhecer de onde veio e com esperança para descobrir os caminhos pelos quais Deus ainda a conduzirá.