Paróquia Santa Suzana celebra 30 anos e inicia novo capítulo de sua história com São Carlo Acutis
Trinta anos de uma paróquia não cabem apenas no calendário. Estão nos nomes de quem chegou primeiro, nas mãos que ajudaram a levantar paredes, nas famílias que permaneceram, nos padres que passaram, nas crianças que cresceram dentro da comunidade e nas novas gerações que agora são chamadas a continuar uma história iniciada muito antes delas.
Foi cercada por essa memória que a Paróquia Santa Suzana celebrou, no dia 12 de outubro, solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, seu Jubileu de Pérola. Mas a celebração dos 30 anos não se limitou a olhar para trás. Diante da comunidade reunida, começou também um novo capítulo: São Carlo Acutis foi oficialmente acolhido como co-padroeiro e, desde então, a comunidade passa a se chamar Paróquia Santa Suzana e São Carlo Acutis.
A Missa solene foi presidida por Dom Valdir José de Castro, ssp, bispo diocesano, e concelebrada pelo pároco, padre Manoel Corrêa Viana Neto, que também vive em 2026 um jubileu particular: são 30 anos de ministério sacerdotal e 30 anos de presença na paróquia. Concelebraram ainda padre Rodrigo Custódio Andrade, incardinado na Diocese de Campo Limpo desde 1º de outubro e vigário paroquial; Frei Guilherme Pereira Anselmo Junior, vigário paroquial; Dom Plácido Guarnieri, OSB, paróquia São Bento; e padre João Carlos Justino, assessor eclesiástico do Caminho Neocatecumenal. Participou também o diácono permanente Argeu Tavares.

Logo no início da celebração, padre Manoel leu o decreto que oficializou a inclusão de São Carlo Acutis como co-padroeiro. O desejo, cultivado pela própria comunidade, encontrou resposta em uma longa salva de palmas. Em seguida, a imagem do jovem santo foi entronizada, abençoada e incensada por Dom Valdir, juntamente com a imagem de Santa Suzana.
“Dois santos jovens, um dos primeiros séculos e um bastante atual, ambos jovens. Que o exemplo deles nos ajude na evangelização e no testemunho cristão”, afirmou o bispo.
A escolha estabelece uma ponte entre tempos muito diferentes. De um lado, Santa Suzana, jovem mártir dos primeiros séculos do cristianismo; de outro, Carlo Acutis, adolescente do nosso tempo, profundamente ligado à Eucaristia e capaz de enxergar também no universo digital um espaço para anunciar Jesus. A devoção a Carlo na paróquia não nasceu com sua canonização. A comunidade já caminhava com ele desde outubro de 2020, quando foi beatificado.
O vinho novo de uma história que continua
Na homilia, Dom Valdir partiu do Evangelho das Bodas de Caná e encontrou na atitude de Maria uma chave para compreender não apenas a festa de Nossa Senhora Aparecida, mas também a própria missão cristã.

Maria percebe antes dos outros que algo está faltando. É, como destacou o bispo, uma mulher “atenta, sensível, com os pés na realidade”. Ao notar que o vinho estava acabando, não permaneceu indiferente ao constrangimento que se aproximava. Voltou-se para Jesus e, depois, deixou aos serventes uma orientação que atravessaria os séculos: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Para Dom Valdir, é justamente aí que está um programa de vida para os cristãos. Fazer aquilo que Jesus diz significa transportar o Evangelho para as relações concretas: amar, reconciliar-se, repartir o pão, acolher, perdoar e abandonar a tentação de olhar o outro de cima para baixo.
O vinho transformado em Caná também ganhou, na reflexão do bispo, outro significado. É o vinho novo dos tempos messiânicos, sinal da alegria trazida por Cristo. E é uma alegria que encontra sua expressão mais profunda na Eucaristia.
Foi nesse ponto que a figura do novo co-padroeiro apareceu com ainda mais força
Dom Valdir recordou uma das expressões que resumem a espiritualidade de Carlo: “Estar sempre unido a Jesus, eis o meu programa de vida.” Uma frase simples para um caminho igualmente simples e exigente: a santidade nasce da união com Cristo e pode ser vivida no cotidiano.
Carlo morreu aos 15 anos, mas compreendeu cedo aquilo que tantas pessoas passam uma vida procurando. “Encontre Deus e encontrará o sentido da vida”, recordou o bispo ao falar do jovem santo. Assim como o vinho novo devolveu sentido à festa de Caná, o encontro com Cristo é capaz de oferecer sentido à existência, inclusive em meio às dificuldades.
Sua relação com Jesus encontrou na Eucaristia um centro. “A Eucaristia é estrada para o céu”, dizia Carlo. Mas sua espiritualidade não terminou diante do sacrário. O jovem doava parte de sua mesada aos pobres, ajudava pessoas necessitadas e atuava como voluntário. Para Dom Valdir, está aí uma lição indispensável: não há sentido em adorar Jesus na Eucaristia sem reconhecê-lo também naquele que precisa de ajuda.
Um santo da geração conectada
Carlo também soube evangelizar no território que conhecia bem: a internet. Utilizou seus conhecimentos para catalogar milagres eucarísticos e aparições marianas, percebendo que a tecnologia poderia servir não somente à distração, mas ao anúncio do Evangelho.
A reflexão encontrou eco direto na realidade atual. Dom Valdir chamou a atenção para uma sociedade cercada por telas, celulares, redes sociais, polarizações e grupos que, muitas vezes, deixam de dialogar entre si. Nesse ambiente, a conhecida frase de Carlo, “Todos nascemos originais, mas muitos morrem como cópias”, torna-se também uma provocação.
Em vez de reproduzir violência, intolerância e preconceitos, o cristão é chamado a usar esses espaços para construir comunhão. Carlo, observou o bispo, descobriu que a internet poderia ser um instrumento de evangelização. O desafio é fazer a mesma descoberta hoje.
E se o novo co-padroeiro tem rosto jovem, isso não acontece por acaso. A intenção é também aproximar as novas gerações da vida paroquial e recordar que os jovens não são apenas uma promessa para amanhã: fazem parte da Igreja de hoje.

Antes dos 30 anos
Quando a celebração se aproximava do fim, a memória ganhou nomes
Em seu discurso, padre Manoel percorreu uma história que começou antes mesmo da criação oficial da paróquia. Voltou à década de 1970, quando famílias do Portal do Morumbi começaram a se reunir para rezar e mães buscavam um lugar onde os filhos pudessem receber catequese. Recordou Frei Xavier, ligado à então realidade eclesial da região, e também a primeira Eucaristia celebrada por Dom Emílio Pignoli naquela comunidade.
A história cresceu porque encontrou pessoas dispostas a oferecer algo de si
Padre Manoel recordou Natália Neumann, responsável pela doação do terreno da Imaculada Conceição, e a família Silva de Campos, que havia doado o terreno onde hoje está a paróquia. Recordou também lideranças leigas cuja presença atravessou os anos, entre elas Rosa Lúcia, José Eduardo e Regiane, além daqueles que já concluíram sua caminhada terrena.
Vieram depois as etapas da construção da igreja, que já avançou muito, as necessidades de cada tempo, as festas, campanhas e tantos braços que fizeram com que aquilo que existia primeiro como desejo comunitário ganhasse paredes, altar e vida pastoral.
Nessa memória, padre Manoel também agradeceu às pessoas que participaram e participam diretamente da construção da matriz, mencionando Renato e Fátima, Murilo e Silvia, Edson, Lucy Meire, Paulo, Lídia, Marcos e Alice, Paulo e Rita, entre tantos outros que, de maneiras diferentes, ajudam a sustentar a caminhada.
São nomes que explicam por que o Jubileu de Pérola não pertence somente a uma data. Ele pertence às pessoas.
Duas juventudes, uma mesma direção
A liturgia daquele 12 de outubro também tornou visível essa união entre passado e futuro. O canto foi conduzido pelo coral adulto e pelo coral infantil, e a própria comunidade preparou um hino dedicado aos padroeiros, com composição e melodia próprias.
No altar, as imagens de Santa Suzana e São Carlo Acutis resumiam silenciosamente o que a comunidade celebrava: dois jovens separados por muitos séculos, mas unidos pelo testemunho de uma vida orientada para Cristo.

Aos 30 anos, a paróquia chega a uma espécie de encruzilhada bonita da própria história. Carrega consigo aqueles que abriram os primeiros caminhos, os que doaram terrenos, organizaram comunidades, construíram a igreja, serviram nas pastorais e transmitiram a fé. Ao mesmo tempo, escolhe como companheiro um santo adolescente, filho de uma época de computadores, internet e redes sociais.
Talvez esteja justamente aí a força do jubileu celebrado pela comunidade: honrar aquilo que foi construído sem transformar a memória em lugar de permanência.
Em Caná, quando o vinho faltou, Maria percebeu, confiou em Jesus e pediu aos serventes que fizessem aquilo que Ele dissesse. A água então se tornou vinho novo e a festa pôde continuar.
Trinta anos depois de sua criação, a Paróquia Santa Suzana e São Carlo Acutis também continua a festa. Com memória suficiente para reconhecer de onde veio e com esperança para descobrir os caminhos pelos quais Deus ainda a conduzirá.
























