Projeto Na Rota das Araucárias une evangelização, ecologia integral e promoção humana em Juquitiba
Nem a chuva persistente da tarde de 24 de junho, Dia Nacional das Araucárias, foi capaz de diminuir o entusiasmo daqueles que participaram do lançamento oficial do projeto Na Rota das Araucárias, realizado na Comunidade Terapêutica Mãe que Acolhe, em Juquitiba. A iniciativa, assumida pela Diocese de Campo Limpo como resposta concreta aos apelos da Campanha da Fraternidade 2025, Fraternidade e Ecologia Integral, nasce com a proposta de unir evangelização, educação ambiental, promoção humana e geração de oportunidades, inspirada nos princípios do Evangelho e da encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco.
A Comunidade Terapêutica Mãe que Acolhe, escolhida para sediar a primeira etapa do projeto, tornou-se cenário de um momento marcado pela esperança e pelo compromisso com a Casa Comum. O evento teve início às 16 horas com uma apresentação musical preparada pelos 49 acolhidos da comunidade terapêutica que, por livre iniciativa, decidiram participar do projeto. Os convidados foram recebidos pelos próprios internos e pelo diretor da instituição, Thiago Buscarioli, que representou o fundador, padre Valdir Rodrigues.

Entre os presentes estavam o bispo diocesano, Dom Valdir José de Castro; o padre Aloísio de Melo Sousa, pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia, em cujo território está localizada a comunidade; o padre Sebastião Gomes Neto, vigário episcopal da Região Episcopal 2; o monsenhor Agnaldo de Carvalho, ecônomo diocesano; o engenheiro agrônomo Marcelo Fijisawa; o pesquisador e especialista em araucárias Ivar Wendling; Nilton Barros, da Eco Uniflora; Fernando Correa Queiroz, Benedito D’Aragone e Regiane Santos representantes do SEBRAE Osasco; agentes pastorais e diversos parceiros da iniciativa.
Também foi lembrada a contribuição de Jacira Moreti Iamundo, paroquiana do Santuário Santa Teresinha, que desde o início abraçou o projeto ao lado de Léia Rodrigues, mas não pôde participar da inauguração por compromissos familiares, enviando sua saudação aos presentes.
O projeto já vinha sendo desenvolvido há cerca de 45 dias antes de seu lançamento oficial. Nesse período, os acolhidos da comunidade participaram de atividades relacionadas à produção de mudas, implantação de viveiros, organização de espaços formativos e preparação das áreas destinadas ao cultivo e à educação ambiental.
A idealização do projeto é da Diocese de Campo Limpo, enquanto sua elaboração técnica e execução estão sob responsabilidade da Eco Uniflora. A parceria nasceu após a apresentação da proposta à Diocese e sua identificação com os objetivos da Campanha da Fraternidade deste ano. O primeiro gesto simbólico aconteceu ainda na Cúria Diocesana, quando Dom Valdir realizou o plantio da primeira araucária do projeto.

A iniciativa tem como uma de suas principais inspirações o trabalho desenvolvido por Léia Rodrigues, fundadora da Eco Uniflora. Apaixonada pelas araucárias desde a infância, ela transformou sua admiração pela espécie em um projeto de preservação ambiental, educação ecológica e valorização da memória regional. Fundada em 2009, a Eco Uniflora expandiu sua atuação para além do paisagismo sustentável, incorporando reflorestamento, educação ambiental, produção de mudas e ações voltadas à conscientização das novas gerações.
O professor Ivar Wendling, uma das maiores referências brasileiras no estudo das araucárias, destacou durante o encontro a importância da preservação da espécie, considerada símbolo da Mata Atlântica e atualmente ameaçada de extinção. Segundo ele, o projeto também contribuirá para o resgate genético de exemplares antigos e para a valorização econômica sustentável do pinhão, fortalecendo o interesse pela conservação da árvore.
Além da dimensão ambiental, o Na Rota das Araucárias possui forte caráter social. A proposta busca potencializar as oportunidades de formação e inserção profissional dos acolhidos da Comunidade Terapêutica Mãe que Acolhe, que há quase duas décadas desenvolve um trabalho de recuperação de dependentes químicos baseado nos pilares do autocuidado, autoconhecimento e autonomia.

Desde 2012, mais de 1.900 pessoas já passaram pela instituição. Agora, por meio do projeto, os acolhidos têm a oportunidade de adquirir novos conhecimentos e desenvolver habilidades ligadas à sustentabilidade, ao empreendedorismo e ao trabalho com a terra.
O SEBRAE passou a integrar a iniciativa oferecendo capacitação voltada ao empreendedorismo e à inclusão produtiva. Durante o evento, participantes receberam certificados de cursos realizados, reforçando o compromisso de transformar conhecimento em oportunidades concretas de geração de renda e autonomia.
Em sua manifestação, Dom Valdir destacou que o projeto representa uma síntese daquilo que a Igreja propõe quando fala de Ecologia Integral. Para o bispo, cuidar da natureza não pode estar separado do cuidado com as pessoas, especialmente aquelas que mais necessitam de apoio, acolhimento e novas oportunidades.

Ao longo dos últimos anos, a Diocese de Campo Limpo tem buscado fortalecer iniciativas que integrem fé, cidadania e cuidado com a criação. Nesse sentido, o Na Rota das Araucárias torna-se um sinal concreto de uma Igreja que evangeliza não apenas com palavras, mas também por meio de ações capazes de transformar realidades e gerar esperança.
A coordenadora diocesana da Pastoral da Ecologia Integral, Lourdes, destacou que o projeto representa um passo importante na conscientização socioambiental das comunidades, favorecendo a colaboração entre diferentes pastorais e promovendo uma reflexão concreta sobre os desafios ambientais contemporâneos.
Também esteve presente Marcos Velletri, responsável pela Pastoral do Empreendedor, que colaborou na aproximação com o SEBRAE e no fortalecimento das parcerias voltadas à formação e inclusão dos acolhidos.

O momento culminante da inauguração foi o plantio simbólico de uma araucária. Mais do que um gesto protocolar, o ato tornou-se expressão daquilo que o projeto pretende construir: uma semente de esperança lançada na terra, capaz de gerar frutos para as futuras gerações.
Assim como a araucária cresce lentamente, criando raízes profundas e resistindo ao tempo, o projeto deseja contribuir para que cada pessoa acolhida possa reconstruir sua própria história, reencontrar sua dignidade e projetar um novo futuro. Ao mesmo tempo, reforça o compromisso da Igreja com a preservação da natureza, a educação ambiental e a promoção humana integral, demonstrando que cuidar da Casa Comum é também cuidar das pessoas e da vida em todas as suas dimensões.
























