Encerramento do 9º Encontro Nacional da Pascom reúne participação histórica e reafirma a comunicação como missão da Igreja

Após três dias de intensa experiência de comunhão, formação e espiritualidade, foi encerrado neste domingo (26), no Santuário Nacional de Aparecida, o 9º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (9º ENP). A edição histórica reuniu cerca de 1.500 agentes da Pascom, representantes dos 19 Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), além da maior presença de bispos, presbíteros e religiosos já registrada na trajetória do encontro.
Com o tema “Evangelização em Movimento: a dimensão pastoral da comunicação”, o 9º ENP reafirmou que comunicar o Evangelho é uma missão que nasce do encontro com Cristo e se concretiza na construção de pontes, no diálogo, na comunhão e no cuidado com as pessoas.
Durante os três dias, o Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida tornou-se um grande espaço de encontro entre comunicadores de todo o país. Celebrações, conferências, oficinas, assembleias e momentos de convivência fortaleceram os vínculos entre dioceses e renovaram o compromisso dos agentes da Pastoral da Comunicação com uma comunicação cada vez mais humana, missionária e sinodal.

A caminhada do 9º Encontro Nacional da Pascom teve início com a realização da Assembleia Nacional da Pastoral da Comunicação e a celebração da Santa Missa, presidida por Dom Valdir José de Castro, SSP, bispo da Diocese de Campo Limpo (SP) e presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB. Na abertura, o bispo destacou que toda comunicação cristã nasce da escuta da Palavra de Deus e do encontro pessoal com Jesus Cristo, o Comunicador Perfeito, fonte e inspiração para a missão evangelizadora da Igreja.
Assembleia Nacional e continuidade da caminhada da Pascom
Os representantes dos 19 Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participaram da Assembleia Nacional da Pastoral da Comunicação (Pascom), realizada durante o 9º Encontro Nacional. O momento foi dedicado à avaliação da caminhada da pastoral, à partilha das experiências regionais e ao discernimento das prioridades para os próximos anos.
Alex Ferreira – secretário nacional; Janaína Gonçalves – coordenadora-geral (reeleita); Edite Neves – vice-coordenadora

Durante a assembleia, foi definida a nova Coordenação Nacional da Pascom, apresentada oficialmente no último dia do encontro aos mais de 1.400 participantes presentes em Aparecida. A nova equipe ficou composta por: Janaína Gonçalves – coordenadora-geral (reeleita); Edite Neves, da Diocese de Bragança Paulista (SP) – vice-coordenadora; Alex Ferreira, da Arquidiocese de Fortaleza (CE) – secretário nacional.
A nova coordenação terá a missão de dar continuidade ao fortalecimento da identidade da Pascom, a partir dos quatro eixos que orientam sua atuação: espiritualidade, formação, articulação e produção.
Também durante a assembleia foram apresentadas as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026–2032). Ao comentar o documento, Dom Valdir José de Castro, SSP, presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, destacou que as novas diretrizes são fruto de um amplo processo de escuta, participação e discernimento da Igreja no Brasil.

A imagem da Tenda do Encontro, escolhida como símbolo das novas Diretrizes, foi apresentada como expressão de uma Igreja acolhedora, aberta ao diálogo, próxima das pessoas e comprometida com a missão evangelizadora em uma sociedade marcada por profundas transformações culturais e digitais.
Comunicação, sinodalidade e missão
A conferência inaugural foi conduzida por Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, que refletiu sobre a comunicação como expressão da missão evangelizadora da Igreja. Segundo ele, comunicar não significa apenas produzir conteúdos ou utilizar tecnologias, mas favorecer relações autênticas e promover encontros capazes de transformar vidas.
Ao abordar os desafios da Inteligência Artificial, Ruffini destacou que as novas tecnologias devem permanecer a serviço da dignidade humana, sem substituir a riqueza do encontro pessoal.
“A beleza da Pascom é fazer as pessoas se encontrarem”, afirmou Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, durante a conferência de abertura do encontro.

Bispos da Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB refletem sobre a missão da comunicação na Igreja
A programação do encontro contou com a participação dos bispos da Comissão Episcopal para a Comunicação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que conduziram reflexões sobre a identidade, os desafios e a missão da comunicação eclesial no mundo atual.
Abrindo as conferências, Dom Valdir José de Castro, SSP, bispo da Diocese de Campo Limpo (SP) e presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB, conduziu os participantes a uma reflexão sobre a dimensão mais essencial da comunicação: a pessoa humana. Para o bispo, antes de qualquer técnica, estratégia ou ferramenta tecnológica, comunicar é, sobretudo, um ato profundamente humano, que nasce da capacidade de criar vínculos, aproximar pessoas e testemunhar a verdade com amor.
Ao apresentar Jesus Cristo como o comunicador por excelência, Dom Valdir destacou que a comunicação de Jesus ultrapassava o uso das palavras. Sua mensagem era transmitida pelos gestos, pelo olhar, pela escuta, pela proximidade e pela compaixão com aqueles que encontrava pelo caminho. O bispo ressaltou que Jesus comunicava com toda a sua vida, mostrando que o comunicador cristão é chamado a testemunhar o Evangelho também pela forma como acolhe, escuta e se relaciona com as pessoas.
Inspirado nas mensagens do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, Dom Valdir reforçou que a missão do comunicador cristão exige o movimento de “ir e ver” a realidade, aproximando-se das histórias concretas das pessoas, ouvindo com o “ouvido do coração” e construindo relações marcadas pela cordialidade, pela verdade e pela fraternidade.

A reflexão foi aprofundada por outros conferencistas ao longo da programação. Dom Edilson Soares Nobre, bispo da Diocese de Oeiras (PI) e membro da Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB, apresentou um percurso histórico da comunicação eclesial no Brasil, destacando como a Igreja sempre soube dialogar com os meios disponíveis em cada época, da imprensa ao rádio, da televisão ao ambiente digital. Em sua reflexão, ressaltou que a missão comunicativa da Igreja acompanha as transformações culturais sem perder a centralidade do anúncio do Evangelho.
Dom Amilton Manoel da Silva, bispo da Diocese de Guarapuava (PR) e membro da Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB, refletiu sobre a presença cristã nas redes sociais, apresentando o ambiente digital como um verdadeiro território missionário. Para o bispo, a Igreja é chamada a ocupar esses espaços com responsabilidade, ética e criatividade, compreendendo que a comunicação digital deve favorecer encontros, fortalecer comunidades e aproximar as pessoas de Cristo. Em sua reflexão, reafirmou que “a comunicação é missão e a missão é comunicação”.
A conferência do padre Josileudo Queiroz ganhou destaque na programação do encontro, ao propor uma reflexão sobre a presença cristã nas redes sociais. Sacerdote da Arquidiocese de Fortaleza (CE), comunicador, assessor de comunicação e missionário digital, ele partilhou sua experiência na evangelização digital, destacando os desafios e as oportunidades para o anúncio do Evangelho nos novos ambientes de comunicação.

Ao questionar se a presença cristã nas redes deve buscar apenas engajamento ou verdadeira evangelização, padre Josileudo ressaltou que o comunicador cristão não deve ter como principal objetivo números, alcance ou curtidas, mas favorecer o encontro das pessoas com Jesus Cristo e fortalecer vínculos de comunhão.
“Só valia ser padre se fosse para cuidar de gente”, afirmou, destacando que a comunicação pastoral precisa permanecer centrada na pessoa humana, na escuta, na proximidade e no cuidado, seguindo o próprio modo de agir de Jesus.
Comunicação e cuidado com a Casa Comum
A programação também trouxe reflexões sobre desafios sociais e ambientais. A educadora e comunicadora Heloísa Fischer abordou a relação entre comunicação, crise climática e esperança ativa, destacando que o cuidado com a Casa Comum deve fazer parte da missão evangelizadora.
Segundo ela, a esperança cristã não é passiva, mas impulsiona comunidades a transformar a realidade, enfrentando a cultura do descarte, do individualismo e da indiferença.

Encerrando o ciclo de conferências, o professor Marcello Zanluchi refletiu sobre a gestualidade do encontro e destacou que a comunicação pastoral acontece também por meio da acolhida, da escuta e dos gestos concretos de fraternidade.
Para ele, mais do que alcançar visualizações ou curtidas, a comunicação da Igreja deve tornar visível a presença misericordiosa de Deus na vida das pessoas.
Formação para fortalecer a missão
Além das conferências, o 9º Encontro Nacional da Pascom contou com uma ampla programação de oficinas temáticas, que possibilitaram aos participantes aprofundar conhecimentos práticos e pastorais em diferentes áreas da comunicação eclesial.
A oficina “Comunicação e sinodalidade: caminhos para uma Igreja em saída” foi conduzida por Ricardo Alvarenga, que refletiu sobre a importância de uma comunicação marcada pela escuta, participação e comunhão, em sintonia com o processo sinodal vivido pela Igreja.
O padre Tiago Síbula conduziu a oficina sobre espiritualidade do comunicador, destacando que a missão da Pascom não se resume às técnicas comunicacionais, mas nasce de uma vida de oração, escuta da Palavra e compromisso com o anúncio do Evangelho.
A irmã Maria Nilza apresentou reflexões sobre o papel da comunicação na missão evangelizadora da Igreja, ressaltando a importância de uma presença comunicativa capaz de acolher, dialogar e aproximar as pessoas da comunidade cristã.
O comunicador Fabiano Fachini abordou os desafios da evangelização digital e da presença cristã nas redes sociais, oferecendo caminhos para que os agentes da Pascom utilizem as novas plataformas com criatividade, responsabilidade e fidelidade ao Evangelho.
A oficina sobre comunicação estratégica e planejamento pastoral foi conduzida por Franklin Machado, que apresentou ferramentas para organizar processos comunicacionais, fortalecer a identidade institucional e ampliar a atuação das equipes de comunicação nas dioceses e paróquias.

O jornalista Raylson Araújo trabalhou a temática da assessoria de imprensa e relacionamento com os meios de comunicação, destacando a importância da preparação de informações, do diálogo com jornalistas e da presença qualificada da Igreja no espaço público.
A comunicadora Márcia Marques conduziu a oficina sobre comunicação não violenta e cultura do encontro, refletindo sobre a necessidade de uma comunicação baseada no respeito, na empatia e na construção de relações mais humanas.
Maria Cícera da Silva desenvolveu a reflexão sobre protagonismo feminino na comunicação eclesial, valorizando a contribuição das mulheres na missão evangelizadora e na construção de uma Igreja mais participativa e acolhedora.
Já Guilherme Freitas abordou os desafios e oportunidades da Inteligência Artificial aplicada à comunicação pastoral, refletindo sobre o uso ético das novas tecnologias e a necessidade de colocar a inovação sempre a serviço da pessoa humana e da missão da Igreja.
As oficinas favoreceram a troca de experiências entre agentes de diferentes regiões do Brasil e ofereceram ferramentas concretas para fortalecer a presença da Pascom nas dioceses, paróquias e comunidades. Ao unir formação técnica, espiritualidade e compromisso missionário, o momento reafirmou que a comunicação da Igreja precisa ser, antes de tudo, uma comunicação que gera encontro, comunhão e anúncio do Evangelho.
Próximos passos da comunicação da Igreja no Brasil
Durante o segundo dia do encontro, foi anunciado oficialmente o 15º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom). O evento será realizado entre os dias 20 e 23 de julho de 2028, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Muticom será organizado pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, em parceria com o Regional Leste 1 da CNBB e a PUC-Rio.
O anúncio foi realizado por Adielson Agrelos, jornalista e agente da Pastoral da Comunicação do Rio de Janeiro, e recebido com entusiasmo pelos participantes, apontando novos caminhos para a formação, pesquisa e diálogo da comunicação eclesial no país.
Uma comunicação que testemunha Cristo
Ao final do 9º Encontro Nacional da Pascom, permaneceu entre os participantes a certeza de que comunicar o Evangelho vai muito além do uso das tecnologias ou da produção de conteúdos.
Comunicar é testemunhar Cristo, promover encontros, fortalecer a comunhão e cuidar das pessoas.
Na Casa da Mãe Aparecida, milhares de comunicadores renovaram sua vocação missionária e retornam às suas dioceses conscientes de que cada fotografia, reportagem, transmissão, vídeo, podcast ou publicação pode ser instrumento para tornar visível a presença amorosa de Deus.

O maior Encontro Nacional da história da Pascom deixa como legado a unidade, a formação e o compromisso de uma comunicação cada vez mais humana, sinodal e missionária, reafirmando que a comunicação permanece como uma dimensão essencial da evangelização da Igreja no Brasil.





