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Campanha da Fraternidade 2026

Formação sobre a Campanha da Fraternidade reúne lideranças e reforça o direito à moradia digna

Encontro no Povo em Ação promove reflexão a partir da realidade das periferias e destaca desafios e caminhos para a habitação no Brasil.
 |  Andrea Rodrigues  |  Diocese

Em meio às casas do Conjunto Habitacional São Bento, onde a vida pulsa entre desafios e esperança, cerca de 40 pessoas se reuniram na manhã do sábado, 28 de março, para refletir sobre um tema urgente: a moradia.

A Formação sobre a Campanha da Fraternidade 2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia”, aconteceu na Associação Povo em Ação, espaço que também acolhe, de forma itinerante, a comunidade Nossa Senhora das Vitórias, da Paróquia Cristo Rei, na Forania São José.

Promovido pelo Conselho Nacional do Laicato de Campo Limpo (CNLB), pelo Fórum das Pastorais Sociais/RE1 e pela própria Associação, o encontro buscou aproximar a reflexão da realidade concreta vivida nas periferias. A proposta foi olhar a questão da moradia a partir de quem está na base, no cotidiano das comunidades.

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A assessoria da formação ficou a cargo de Frei Marcelo Toyansk, frade capuchinho e coordenador nacional da Pastoral da Moradia e Favela. Com dados e exemplos, ele ajudou os participantes a compreender a complexidade do cenário habitacional no Brasil.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país contava, em 2022, com mais de 12 mil favelas e comunidades urbanas, distribuídas em 656 municípios. Para além dos números, Frei Marcelo chamou atenção para duas realidades que caminham juntas: a falta de moradia e a precariedade das condições de vida.

De um lado, cerca de seis milhões de famílias vivem sem acesso à moradia, compondo o chamado déficit habitacional quantitativo. De outro, entre 20 e 25 milhões de famílias habitam espaços precários, locais que, com investimentos e melhorias, poderiam oferecer condições dignas de vida.

“Em muitas comunidades, as pessoas não precisam sair de onde estão, mas precisam de dignidade. Urbanização, saneamento básico e acesso a direitos fundamentais transformam esses territórios”, explicou. Ele também destacou que ainda hoje cerca de um milhão de pessoas vivem sem banheiro em casa.

Outro ponto abordado foi o direito à cidade, acesso a praças, cultura, lazer e serviços, como parte essencial da moradia digna. “A qualidade de vida também passa por isso. No entanto, a lógica da especulação imobiliária acaba empurrando os mais pobres para regiões cada vez mais distantes”, alertou.

Entre os participantes, estava o padre Reinaldo Sussumu Akagui, pároco da Paróquia Santo Antônio, no Jardim Lilah, que destacou a urgência do tema. Vivendo de perto a realidade das periferias, ele ressaltou que a falta de moradia impacta diretamente outras dimensões da vida: “Sem moradia, torna-se ainda mais difícil falar de saúde, educação e dignidade”.

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A formação contou também com a presença do padre Tiago José Lino Peixoto, assessor da Pastoral da Moradia e Favela na Diocese de Campo Limpo e vigário do Santuário São José Operário. À frente da pastoral desde fevereiro, ele tem se dedicado a aprofundar o tema e a articular ações concretas.

“O lugar onde a pessoa vive afeta sua saúde física, mental e emocional. A moradia é um direito garantido pela Constituição, mas ainda está longe de ser realidade para todos”, afirmou. Segundo ele, iniciativas como a da Associação Povo em Ação mostram a força da organização popular. “Movimentos sociais e pastorais caminham juntos para garantir não só um teto, mas condições dignas: permanência, acesso a serviços e segurança na posse da moradia”.

Com cerca de duas horas de duração, o encontro terminou de forma simples e simbólica: ao redor de um café partilhado. Ali, entre conversas e rostos atentos, permanecia o mesmo desejo que motivou a formação, que toda pessoa tenha não apenas um lugar para morar, mas um lar onde a dignidade seja realidade.