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Descobrir vocações

Em entrevista, padre Rodolfo Camarotta conta como foi receber o convite para a Coordenação da Pastoral Vocacional e fala sobre os desafios e planos para o futuro.

1 Abr 2024
Coordenador da Pastoral Vocacional

Prestes a completar 17 anos de sacerdócio, o Padre Rodolfo Camarotta assumiu, em 29 de janeiro, a coordenação da Pastoral Vocacional, atendendo ao pedido do bispo diocesano, Dom Valdir José de Castro, ssp. A Pastoral Vocacional integra o Serviço de Animação Vocacional (SAV), que tem como objetivo promover a missão e a animação vocacional, não se limitando a uma mera empolgação, mas sim buscando conscientizar os cristãos sobre a vocação humana, cristã e eclesial, em um processo livre e consciente.

Padre Rodolfo, que se colocou à disposição para servir, recebeu a proposta e aceitou sem hesitação, embora com surpresa: "Quando recebi a ligação, entendi que era o chamado de Deus para minha disposição. Mesmo não tendo muita experiência com a Pastoral Vocacional, vivi meu discernimento vocacional desde muito cedo. Encaro esse desafio com gratidão e felicidade".

Padre Rodolfo esteve à frente da Pastoral da Juventude da Diocese por quase 11 anos: desde o final de 2011 até julho de 2022, e atualmente é pároco da paróquia Sagrado Coração de Jesus, pertencente à forania São Luiz, além de ter um programa fixo na Rede Vida de Televisão. Sua habilidade de comunicação e sua proximidade com os jovens podem representar um diferencial significativo no auxílio do discernimento vocacional, que pode ser também para a vocação familiar, por exemplo.

rodolfo entrevista
Pe. Rodolfo concede entrevista no Vicariato para a Comunicação da Diocese. — Imagem: Pe. Rodrigo Antonio da Silva.

Quando falamos em Pastoral Vocacional, logo vem à mente que é uma preparação para o sacerdócio. Como podemos desmistificar isso?

Sinceramente, não temos uma fórmula pronta. É claro que a Igreja trabalha a vocação de forma ampla, mas também entendo que os encontros vocacionais muitas vezes são vistos como um estágio para o seminário. No entanto, essas reuniões visam ajudar a iluminar e fortalecer a mentalidade de um caminho vocacional vivido de forma mais ampla. O encontro é válido tanto para aqueles que estão discernindo o chamado para o sacerdócio, quanto para pessoas que desejam descobrir se sua vocação é matrimonial ou ainda de consagrado, religioso ou religiosa ou de leigo com voto de celibato. Essa abordagem é um dos aspectos do trabalho que já vinha sendo realizado e que daremos continuidade, com ênfase na desmistificação da ideia de que vocação se resume apenas ao sacerdócio.

O que tem feito de imediato desde que assumiu a coordenação da pastoral há quase três meses?

Neste estágio inicial, estamos focados na reestruturação da equipe de coordenação, que é composta por padres, religiosas, leigos e leigas. Destaco a importância dessa diversidade de pessoas e vocações, pois nos ajuda a compreender as diversas transformações pelas quais o mundo está passando e onde os jovens estão inseridos. Além disso, estamos organizando os encontros mensais, que continuam a ser realizados no 4º domingo do mês, às 15 horas, no Centro Pastoral Sagrada Família, por enquanto. Também estamos planejando a Exposição Vocacional, que ocorrerá nos dias 23, 24 e 25 de agosto, e um novo formato de retiro vocacional em outubro. Faz muito pouco tempo desde a nomeação, então estou dedicado a compreender o que já foi feito para dar continuidade e avançar nos trabalhos da pastoral.

Houve menção de que os encontros ocorrerão, "por enquanto", no Centro Pastoral. Isso indica mudanças?

A Pastoral Vocacional passa a contar com um lugar específico para as reuniões, o Centro Vocacional da Diocese, que será instalado na conhecida casa da Pedra, no Taboão da Serra.

Sim, em relação ao espaço, temos novidades. A Diocese agora possui um endereço fixo para um Centro Vocacional. Propus utilizar a "Casa da Pedra", como é conhecido o espaço ao lado da Casa de Formação Propedêutica e vizinha da Casa da Juventude e do Seminário Nossa Senhora Aparecida, para abrigar este Centro Vocacional. A proposta foi aceita e, há poucos dias, recebemos as chaves. Ainda não elaboramos um projeto, mas é certo que lá abrigará não apenas nossos encontros mensais, mas um conjunto de diversas ações que nos ajudarão a conhecer melhor nossos vocacionados. Além disso, a coordenação está pensando em maneiras de fazer com que esta pastoral alcance todas as realidades de nossa Diocese, seja promovendo encontros por foranias, seja nas assembleias foraniais paroquiais. Estamos pensando maneiras de alcançar a todos.

Como foi seu primeiro encontro como coordenador?

Começamos em 2024 com um número expressivo. No último mês, tivemos 47 jovens entre moças e rapazes, e seguimos divulgando e enfatizando: são bem-vindas todas as vocações. Temos também enfatizado nos encontros algo que notei em alguns participantes: a não participação na vida comunitária paroquial. É preciso conscientizar todo e qualquer vocacionado a ter uma vida comunitária e a participar pastoralmente de uma comunidade paroquial. Se não há vida comunitária, se não se faz experiência de uma pastoral, é difícil afirmar, salvo raras exceções, que houve um encontro com Jesus. É necessário estar ligado à comunidade dos filhos de Deus. Afinal, quando somos batizados, passamos a fazer parte da comunidade dos cristãos. A partir disso, do meu servir, do meu caminhar como membro deste corpo, que é a Igreja, Deus vai me direcionando e, por que não dizer, chamando. Sem contar que é importantíssimo viver a experiência da Palavra e do banquete Eucarístico, alimento para toda e qualquer vocação.

Existe algum limite de idade para participar das reuniões mensais do encontro vocacional?

A idade mínima para participar é de 16 anos, enquanto a idade máxima não foi estabelecida. A justificativa para essa faixa etária mínima é que um jovem com menos de 16 anos pode ainda não ter maturidade suficiente para discernir sua vocação. Essa decisão foi avaliada pela coordenação em conjunto e foi aprovada pela maioria.

Qual é a importância de compreender a realidade dos jovens em meio à polarização da sociedade?

É essencial ajudar o vocacionado a encontrar um espaço de silêncio interior, para que assim o chamado de Deus seja escutado, em meio a tantos barulhos, discernir com clareza requer silêncio.

Diante da polarização na sociedade, vejo como um desafio compreender a realidade dos jovens, especialmente diante das inúmeras opções e distrações que enfrentam. É essencial ajudá-los a encontrar um espaço de silêncio interior para ouvir o chamado de Deus em meio à diversidade e às propostas oferecidas. Nosso papel é orientá-los para que possam discernir com clareza e responder ao chamado vocacional de acordo com sua verdadeira vocação e propósito de vida. Ao discernir uma vocação, é importante olhar para dentro de si mesmo e enfrentar os próprios desafios, aceitando e compreendendo a própria identidade. A resposta vocacional não deve ser influenciada por modismos ou tendências, mas sim refletir a vontade de Deus para cada indivíduo.

Você acredita que os desafios enfrentados pelo mundo atual contribuem para a diminuição das vocações sacerdotais?

Sim, eu acredito que sim. Vivemos em uma sociedade que oferece muitas liberdades e possibilidades, mas também carece de restrições. Nesse contexto, percebemos que há menos espaço para renúncias na vida das pessoas. Pessoalmente, decidi me tornar padre não porque não tinha vocação para o matrimônio, por exemplo, mas porque senti um chamado específico para esse caminho. Está faltando esse ‘sentir o chamado’. Respondi a esse chamado porque era o que sentia ser minha vocação, não por falta de capacidade para outras vocações. Esse é um desafio pessoal que enfrentamos. 

 

Pe. Rodolfo Camarotta

Coordenador da Pastoral Vocacional; pároco na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, forania São Luiz da Diocese de Campo Limpo e apresentador em programas católicos da Rede Vida de televisão.

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