Câmara dos Deputados celebra bicentenário das relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé

No dia 3 de março, o Plenário Ulysses Guimarães, da Câmara dos Deputados, em Brasília, sediou sessão solene em comemoração aos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. A cerimônia integrou oficialmente o calendário do bicentenário no país e reuniu parlamentares, representantes do corpo diplomático e membros da Igreja, entre eles os bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Dom Valdir José de Castro, presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação e bispo de Campo Limpo, esteve presente.

As relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé foram oficialmente estabelecidas em 1826, poucos anos após a Independência, quando o então Papa Leão XII reconheceu o novo Estado brasileiro. O Brasil tornou-se, assim, o primeiro país do continente americano a formalizar laços com a Sé Apostólica. Ao longo de dois séculos, o relacionamento atravessou o período imperial, a Proclamação da República e diferentes contextos políticos, mantendo-se fundamentado no respeito mútuo, na autonomia das instituições e na colaboração em favor do bem comum.
Laicidade cooperativa e maturidade institucional
Durante a sessão, o arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa, destacou que a separação entre Igreja e Estado, consolidada com a República, não significou ruptura, mas amadurecimento institucional. Segundo ele, no Brasil consolidou-se um modelo de “laicidade positiva”, no qual Estado e Igreja são distintos e independentes, mas colaboram reciprocamente em benefício da sociedade.
O presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, ressaltou que o bicentenário recorda um caminho no qual a diplomacia esteve a serviço da paz e da dignidade da pessoa humana. Ele enfatizou que, ao longo desses 200 anos, a centralidade da pessoa humana permaneceu como fundamento da relação entre o Brasil e a Santa Sé.

Enviado especial do Papa para as celebrações, o cardeal Lorenzo Baldisseri afirmou que a data representa não apenas um momento comemorativo, mas também ocasião de revisão histórica e reafirmação da maturidade institucional alcançada, especialmente após o Acordo Brasil-Santa Sé, assinado em 2008 e promulgado em 2010, que garante segurança jurídica à atuação da Igreja em áreas como educação, saúde e assistência social, respeitando o caráter laico do Estado.
Mensagem do Papa e papel social da Igreja
O núncio apostólico no Brasil, Giambattista Diquattro, leu mensagem enviada pelo Papa Leão XIV, na qual o Pontífice destacou a longevidade de uma amizade “autêntica”, capaz de adaptar-se às transformações sociais e políticas ao longo do tempo, sempre orientada pelo diálogo e pela cooperação.
Parlamentares também ressaltaram o papel social da Igreja no país, especialmente no atendimento às populações mais vulneráveis, na promoção da educação, na assistência em situações de emergência e na defesa da dignidade humana. A Campanha da Fraternidade de 2026, com o tema “Fraternidade e Moradia”, foi citada como exemplo de mobilização social em torno do direito à moradia.

A programação comemorativa do bicentenário prosseguiu com Missa em ação de graças na Catedral Metropolitana de Brasília e outros eventos institucionais, reafirmando o compromisso de continuidade de uma relação histórica pautada pelo diálogo, pela cooperação e pelo serviço ao bem comum.



