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Pastoral Carcerária

Dom Valdir lava os pés de detentos em Itapecerica da Serra

Na Quinta-feira Santa, Dom Valdir celebra o lava-pés com detentos em Itapecerica da Serra e leva esperança ao coração do cárcere.
 |  Andrea Rodrigues  |  Diocese

Portas de ferro, trancas pesadas, passos contidos. Do lado de dentro do Centro de Detenção Provisória de Itapecerica da Serra “ASP Nilton Celestino”, o ambiente parece falar de limites. Mas, naquela Quinta-feira Santa, 2 de abril, algo diferente atravessava os corredores: a presença de quem veio lembrar que nem mesmo o cárcere é capaz de conter a esperança.

Foi ali que Dom Valdir José de Castro, bispo da Diocese de Campo Limpo, celebrou a memória dos gestos de Jesus, a memória da instituição da Eucaristia e o lava-pés, junto aos encarcerados do regime semiaberto. Ao seu lado, agentes da Pastoral Carcerária e os padres Alexandre Matias, assessor diocesano, e Tomáz Marek, missionário Comboniano.

Logo na chegada, o contraste: o peso da estrutura é suavizado pela acolhida. “Esse contato com a religião ajuda não só na disciplina, mas também na mudança de postura entre eles e com os agentes”, observa o diretor da unidade, Guilherme Pimentel.

Após os procedimentos de entrada, um refeitório ganha outro sentido. Entre paramentos e objetos litúrgicos, nasce uma capela provisória. Ali, abraços, apertos de mão e olhares atentos rompem a rotina. A Pastoral Carcerária, presente semanalmente, mais uma vez cumpre sua missão de ser presença da Igreja onde muitos se sentem esquecidos.

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Às 15 horas, o som de um violão dá início à celebração. As vozes se unem, não importa o uniforme. Entre agentes e detentos, forma-se um só coro, forte, vivo, participante.

Na homilia, Dom Valdir fala de Páscoa como passagem. Passagem que atravessa também os muros invisíveis do coração. “Cada um sabe o motivo pelo qual está aqui, mas não se esqueçam de Jesus, nossa esperança. Ele não desanimou diante das dificuldades. O gesto de lavar os pés nos inspira a ser amor, a espalhar compaixão e caridade em um mundo marcado pelo ódio”, afirmou.

Antes de seguir, o bispo pede silêncio. Um instante para lembrar aqueles que também sofrem do lado de fora: pais, mães, familiares. O cárcere, ali, se alarga e alcança outros corações.

O ponto mais marcante vem no gesto. Doze detentos, representando os apóstolos, têm os pés lavados e beijados. Um a um. Sem pressa. Sem distinção. Alguns não conseguem conter as lágrimas. O rito, antigo e sempre novo, revela o que palavras não alcançam: dignidade restaurada, humanidade reconhecida.

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Do lado de fora, a vigilância continua. Um agente armado, atento, lembra onde todos estão. Mas, dentro da capela improvisada, o clima é outro. As orações e os cantos rompem, por instantes, a lógica do lugar.

As preces falam de conversão, saúde, família. Dom Valdir acrescenta um pedido: que todos encontrem, em Cristo, a esperança e a libertação que buscam.

Ao final, o padre Alexandre Matias agradece a presença do bispo, pela terceira vez na unidade, e reconhece o apoio constante à Pastoral Carcerária, assim como a colaboração da direção e dos agentes penitenciários.

Antes da saída, alguns detentos se aproximam. Querem falar, contar suas histórias, partilhar dúvidas e angústias. O tempo já não é o mesmo, mas ainda é encontro.

Presente em todo o país, a Pastoral Carcerária reúne cerca de 3 mil agentes que, cotidianamente, atravessam portões e grades para levar consolo e dignidade aos chamados “Josés e Marias do cárcere”.

Naquele dia, entre ferro e silêncio, o gesto de Jesus foi mais uma vez lembrado. E, por alguns instantes, o amor encontrou espaço para passar.

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