Vocações que se encontram
Durante dois dias, a área externa da Catedral Sagrada Família ganhou novas cores, rostos e histórias. Entre estandes, músicas, encontros e celebrações, diferentes expressões da vida da Igreja se apresentaram ao povo da Diocese de Campo Limpo. De 22 a 23 de agosto, aconteceu a 4ª Exposição Vocacional e Pastoral, reunindo 38 expositores e cinco lojas, em uma grande mostra dos carismas, movimentos, associações e pastorais presentes na Igreja Particular de Campo Limpo.
Segundo a organização, cerca de seis mil pessoas passaram pelo espaço ao longo do fim de semana. A movimentação foi intensificada pelas quatro concentrações diocesanas realizadas durante o evento: Catequistas, Jovens, Pastoral da Acolhida e Famílias. Assim, a exposição não foi apenas um espaço de visitação, mas tornou-se ponto de encontro de diferentes vocações e serviços, reunindo pessoas de diversas comunidades em torno da mesma missão.

Com o tema “Batismo: Alicerce de Vocações” e o lema “Senhor, o que queres que eu faça?”, a iniciativa foi idealizada e organizada pela Pastoral Vocacional e pelo Setor Pastoral Diocesano. A proposta foi recordar que toda vocação cristã nasce do Batismo e que cada batizado é chamado a descobrir e colocar seus dons a serviço da Igreja e da sociedade.
A abertura e o encerramento da programação foram conduzidos pelo padre Marcelo Francisco Leite, assessor da Pastoral Vocacional. Durante os dois dias, o sacerdote também acompanhou a movimentação dos participantes e agradeceu aos expositores, voluntários e a todos os que colaboraram para a realização do evento.

As celebrações das quatro concentrações foram presididas pelo bispo diocesano, Dom Valdir José de Castro, que, além de celebrar com a comunidade, percorreu os estandes da exposição. Em cada espaço, conversou com os expositores, conheceu os trabalhos desenvolvidos e ouviu um pouco das histórias que dão rosto aos diferentes carismas presentes na Diocese. Também visitou a praça de alimentação e a praça das lojas.
Catequistas: o início da caminhada
A programação começou no sábado pela manhã com a concentração dos catequistas. Vindos de diferentes partes da Diocese, eles participaram de um momento de espiritualidade antes da Santa Missa, celebrada às 10h30 por Dom Valdir.
Na homilia, o bispo refletiu sobre a memória litúrgica de Nossa Senhora Rainha, celebrada no sábado (23), relacionando-a ao mistério da vocação e do serviço. Recordou que Maria chegou à realeza porque, antes, assumiu a condição de serva. Seu “sim” a Deus foi uma expressão de amor e disponibilidade para cumprir a missão que lhe havia sido confiada.
Dom Valdir destacou que Maria não buscou uma coroa para si, mas colocou sua vida a serviço de Deus. Ao acolher o chamado para ser Mãe do Salvador, tornou-se também aquela que apresenta Jesus ao mundo e aponta para o Reino de Deus, construído por Cristo na lógica do amor, do serviço e da entrega.

Ao final da celebração, padre Marcelo agradeceu a todos os que contribuíram para a realização da Exposição e declarou oficialmente aberta a quarta edição.
Com os portões abertos, os estandes começaram a receber um fluxo constante de visitantes. Congregações religiosas, pastorais, movimentos e associações apresentaram não apenas seus carismas, mas também materiais de apoio e recursos visuais que ajudaram a aproximar o público de suas atividades e propostas.
A música também ocupou espaço importante na programação. DJ Rodrigo, Ministério Maranata, Banda Eterno Amor e Bruno Mizael animaram os participantes durante todo o sábado, criando um ambiente de alegria, convivência e confraternização.
Jovens chamados a servir
Na tarde de sábado, a juventude tomou conta da exposição. Ao som do DJ Rodrigo, jovens cantaram e dançaram diante do palco antes de seguirem em procissão para a Catedral Sagrada Família, levando consigo a imagem de São Carlo Acutis.
A caminhada culminou na Santa Missa, novamente presidida por Dom Valdir. A partir do Evangelho de Mateus, que apresenta Jesus perguntando aos discípulos “quem vocês dizem que eu sou?”, o bispo destacou que a resposta de Pedro, “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”, é inspiração Divina, mas nasce também de sua experiência e convivência com Jesus.
Dom Valdir explicou que reconhecer Jesus como Messias significa também compreender qual é a sua missão. “O que move é o amor”, afirmou, recordando que Cristo foi enviado pelo Pai para salvar a humanidade e ensinou o mandamento do amor a Deus e ao próximo.

Segundo o bispo, desse amor brotam a misericórdia, o perdão, a justiça, a paz, a partilha e a solidariedade. Por isso, o jovem cristão é chamado não apenas a professar sua fé, mas a torná-la concreta na vida. “Para ir para o céu, nós temos que ser um sinalzinho do céu aqui na terra”, refletiu.
Dom Valdir reconheceu ainda os desafios enfrentados pela juventude, inclusive a dificuldade de projetar o futuro em um mundo marcado por divisões e incertezas. Diante disso, convidou os jovens a permanecerem na dinâmica do Reino de Deus, mesmo quando o caminho exigir esforço e sacrifício, encontrando em Jesus o sentido e a alegria para a vida.
Depois da celebração, a programação continuou até aproximadamente 21 horas, com apresentações musicais e momentos de convivência.
Acolhida que ganha espaço
O domingo marcou um momento histórico para a exposição: pela primeira vez, a Pastoral da Acolhida realizou sua concentração diocesana. Membros da pastoral chegaram usando seus tradicionais jalecos e coletes, tornando visível, também pelas cores, a missão de acolher e servir.
Na celebração, Dom Valdir retomou o tema das vocações a partir do Batismo, lembrando que é nele que está a raiz da vida cristã. O bispo ressaltou que todos fazem parte do povo de Deus e que cada pessoa possui uma vocação e uma contribuição própria na caminhada da Igreja: sacerdotes, religiosos, consagrados, casais, leigos e leigas.
Mais uma vez a pergunta de Jesus aos discípulos esteve no centro da reflexão: “Quem vocês dizem que eu sou?”. Para Dom Valdir, essa resposta não pode ser apenas fruto do que se ouve sobre Jesus, mas precisa nascer da experiência pessoal de convivência com Ele.

Ao recordar a trajetória de Pedro, o bispo explicou que o apóstolo chegou a reconhecer Jesus como Messias porque convivia com Ele e, aos poucos, compreendia sua missão. “Precisamos conhecer Jesus, conhecendo a sua Palavra, meditando, na oração diária, como conhecemos Jesus, no contato com os irmãos”, afirmou.
A reflexão encontrou especial sintonia com a missão da Pastoral da Acolhida: conhecer Cristo e reconhecê-lo também no encontro com o outro. Ao final, Dom Valdir agradeceu o trabalho realizado pelos agentes e incentivou a continuidade da participação da pastoral nas próximas edições da exposição.
Famílias reunidas
A última concentração do fim de semana foi dedicada às famílias. Antes da Missa, os participantes foram acolhidos por um momento de louvor com a cantora católica Camila Perrucini e por uma reflexão sobre a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, conduzida pelo seminarista Leandro Félix.
Às 15h30, Dom Valdir presidiu a Santa Missa, encerrando a programação das concentrações. Ao iniciar sua homilia, recordou que todos têm sua origem em uma família e convidou os presentes a olhar para a realidade concreta de suas próprias casas e para os desafios vividos pelas famílias atualmente.

A partir do Evangelho do 21º Domingo do Tempo Comum, liturgia do final de semana, o bispo destacou novamente a pergunta de Jesus: “Quem vocês dizem que eu sou?”. Para ele, essa é a questão fundamental para a vida cristã. Mais importante do que aquilo que as pessoas dizem sobre nós ou sobre Jesus é discernir o que Deus pede de cada um e procurar ouvir sua voz.
Dom Valdir explicou que a resposta de Pedro foi fruto da convivência com Cristo. O discípulo foi conhecendo Jesus no caminho, ouvindo sua Palavra e participando de sua vida, até compreender quem Ele era. “A Igreja nasce desta fé, esta fé de Pedro”, afirmou.
Ao relacionar a passagem com a vida familiar, o bispo recordou que as diferentes vocações cristãs têm sua raiz no Batismo e que a família também é lugar privilegiado para cultivar a fé, discernir os chamados de Deus e ajudar cada pessoa a responder à missão que recebeu.
Ao final da celebração, padre Marcelo Leite apresentou uma reflexão sobre o tema e o lema da quarta edição da Exposição Vocacional e Pastoral e voltou a agradecer a participação dos expositores, agentes pastorais, voluntários e fiéis.

Durante todo o domingo, os estandes permaneceram movimentados. Para quem passava, cada espaço representava uma possibilidade de conhecer um pouco mais da Igreja presente na Diocese: suas formas de servir, seus diferentes carismas e as muitas maneiras pelas quais homens e mulheres respondem ao chamado de Deus.
Ao chegar à quarta edição, a Exposição Vocacional e Pastoral se consolida como um espaço de encontro, conhecimento e convivência, aproximando os fiéis das diversas expressões da vida pastoral da Diocese de Campo Limpo. A estrutura preparada para receber os participantes também foi destaque ao longo do fim de semana e recebeu elogios pela organização e pelo conforto oferecido ao público. Para a organização, a quarta edição entrou para a história como uma das exposições com melhor estrutura desde sua criação.
Mais do que apresentar trabalhos e iniciativas, o evento recorda que a Igreja é formada por muitos dons e vocações, diferentes entre si, mas unidos por uma mesma origem: o Batismo e o chamado a servir na missão de Cristo.















































