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Setor Juventude

Juventude como sujeito da missão

Quando o Documento 85 reforça a importância da iniciação à vida cristã, do acompanhamento e da centralidade do querigma, ele toca diretamente o que já se busca viver na Diocese.
 |  Andrea Rodrigues  |  Igreja no Brasil

Falar de juventude na Igreja hoje é, antes de tudo, falar de escuta. Escutar não como quem apenas recolhe dados, mas como quem se dispõe a caminhar junto, discernir e aprender. Nesse sentido, o processo de revisão do Documento 85 da CNBB, que trata da Evangelização da Juventude, é mais do que uma atualização pastoral: é um sinal claro de que a Igreja no Brasil deseja continuar próxima das juventudes reais, com seus desafios, feridas, sonhos e potencialidades.

O caminho percorrido pela Comissão Episcopal para a Juventude, com método, participação e fidelidade ao magistério, aponta para uma Igreja que não tem medo de rever, aprofundar e propor. O uso do método Ver, Julgar e Agir, sustentado por ampla pesquisa nacional e iluminado por documentos como Aparecida e Christus Vivit, sinaliza uma pastoral juvenil que busca compreender o tempo presente à luz do Evangelho, longe de se contentar com respostas prontas e soluções fáceis. 

Essa dinâmica encontra ressonância na experiência do Setor Juventude da Diocese de Campo Limpo. Mais do que uma estrutura organizativa, o Setor Juventude é um espaço de comunhão, participação e missão. Ele nasce com o objetivo de articular iniciativas e promover o encontro entre diferentes expressões juvenis, espiritualidades, carismas e caminhos de fé, respeitando a identidade de cada grupo.

Quando o Documento 85 reforça a importância da iniciação à vida cristã, do acompanhamento e da centralidade do querigma, ele toca diretamente o que já se busca viver na Diocese: processos que levem os jovens a uma experiência pessoal com Cristo, à vida comunitária e ao discernimento vocacional, entendido em seu sentido mais amplo. A juventude não é apenas destinatária da pastoral, mas sujeito ativo da evangelização.

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Juventude como espaço de Comunhão, Participação e Missão. — Imagem: Andrea Rodrigues.

Outro ponto de convergência é a sinodalidade. O Documento insiste que o “agir” pastoral passa necessariamente pela escuta, pela corresponsabilidade e pela missão compartilhada. O Setor Juventude, ao se definir como espaço aberto a todas as expressões juvenis, traduz isso na prática: jovens diferentes, com histórias e linguagens distintas, aprendendo a caminhar juntos, sem apagar identidades, mas fortalecendo a comunhão.

Num tempo marcado por cultura digital, crise de sentido, fragilidades emocionais e novas formas de viver a fé, a Igreja é chamada a ser casa que acolhe, escola de discernimento e comunidade enviada. A revisão do Documento 85 e a caminhada do Setor Juventude nos lembram que evangelizar a juventude passa por iluminar percursos e caminhar junto, com escuta atenta, para anunciar melhor o Evangelho.

Talvez o grande convite que emerge desse processo seja este: confiar nos jovens, caminhar com eles e permitir que, também através deles, o Espírito continue renovando a Igreja. A expectativa é que a versão atualizada do Documento 85 seja apresentada para avaliação dos bispos na próxima Assembleia Geral da CNBB.