Entre escuta e cuidado, educação reflete caminhos para acolher o autismo
A manhã da sexta-feira, 24 de abril, começou com café, acolhida e um convite à escuta. No Auditório São Paulo Apóstolo, a Pastoral da Educação da Diocese promoveu o encontro Café com Gestores, reunindo professores, pedagogos e gestores de instituições de ensino para refletir sobre o autismo na sala de aula um tema que pede sensibilidade, conhecimento e compromisso.
Entre xícaras e conversas, a acolhida ganhou tom de oração nas palavras da professora Cinthia Correia, lembrando que educar é, antes de tudo, um gesto de cuidado.
Para conduzir a reflexão, a médica psiquiatra Mariane Gomes Ferreira trouxe à tona um olhar atualizado sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com clareza e proximidade, apresentou conceitos, desfez preconceitos e reforçou o valor da informação como ferramenta de transformação. Mais do que compreender o diagnóstico, o convite foi a enxergar a pessoa, suas potencialidades, seus desafios e sua singularidade.

Na segunda parte do encontro, o foco se voltou para o cotidiano das escolas. Estratégias pedagógicas foram apresentadas a partir de experiências concretas: práticas para favorecer a comunicação, o desenvolvimento cognitivo, a atenção, a socialização e as habilidades motoras. Entre as possibilidades, também surgiram caminhos complementares, como a musicoterapia e a aromaterapia, que vêm se mostrando eficazes no acompanhamento de crianças com TEA.
Presente durante todo o encontro, Dom Carlos Lema Garcia, referencial do Setor Universidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e bispo-auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, trouxe uma reflexão que atravessou toda a manhã: colocar a pessoa no centro. Em sua fala, destacou a importância da escuta ativa, da educação personalizada e do envolvimento das famílias no processo educativo. “É preciso olhar cada aluno em sua realidade, compreender seu contexto e caminhar junto. Educar também é cuidar da dor e do sofrimento, porque fazem parte da vida”, afirmou.

Mas os desafios são reais e urgentes. Ao final, o professor Claudenir de Queiroz destacou as dificuldades enfrentadas, sobretudo no ensino público: falta de recursos, sobrecarga dos profissionais, carência de formação continuada e estruturas ainda pouco adaptadas às necessidades dos alunos.
O encontro foi concluído com um momento de oração e bênção, enviando os educadores de volta às suas realidades com uma missão renovada: ser presença que acolhe, escuta e transforma.
Mais do que uma formação, o Café com Gestores se revelou um espaço de encontro, onde o conhecimento se une à empatia e onde educar se reafirma como um ato profundamente humano e, também, evangelizador.













