Assembleia Eclesial

Última coletiva de imprensa: continuar a escutar o Espírito de Deus que nos nutre e nos guia

Dom Miguel Cabrejos não hesitou em dizer que "realizamos um exercício sinodal", reconhecendo que não foi fácil "colocar um continente em movimento por um ano".
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© Vatican Media
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A última coletiva de imprensa da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe foi um momento para uma primeira avaliação das experiências da semana, sabendo que nos próximos dias essas avaliações, em diferentes áreas e de diferentes maneiras, serão repetidas. Dom Miguel Cabrejos, dom Rogelio Cabrera, irmã Liliana Franco, padre Pedro Brassesco e Mauricio López se reuniram para uma coletiva de imprensa lotada, como foi durante toda a semana, com a participação de cerca de 50 jornalistas por dia.

A primeira palavra foi para o presidente do Celam, que começou por destacar a visão profética do Papa Francisco ao convocar a Assembleia Eclesial, algo sobre o qual ele insistiu que "isto não há volta atrás", implicando que as Conferências Gerais do Episcopado podem ser uma coisa do passado. Dom Miguel Cabrejos não hesitou em dizer que "realizamos um exercício sinodal", reconhecendo que não foi fácil "colocar um continente em movimento por um ano".

O arcebispo peruano destacou a importância da tecnologia a serviço da comunicação e da comunhão. Ele também destacou que a grande riqueza desta Assembleia tem sido a grande escuta. Ele nos convidou a continuar a escutar o Espírito de Deus que nos nutre e nos guia.

O anfitrião, dom Rogelio Cabrera, expressou sua alegria por esta Assembleia ter sido realizada no México, agradecendo ao Papa Francisco por isso, o que ele disse não ser mérito dos mexicanos, mas de Nossa Senhora de Guadalupe. O presidente do episcopado mexicano refletiu sobre a tragédia e as dificuldades da pandemia de Covid-19, que mostrou nossos limites, causando dor, lágrimas e problemas no campo da saúde, miséria e violência. Mas também a esperança, porque demonstrou a grandeza do coração humano e a generosidade do povo.

"Se o coração estiver limpo, nunca poderemos ficar presos pela noite intransitável". Estas são as palavras de Pedro Casaldáliga com as quais a presidente da CLAR iniciou um discurso no qual manteve a certeza de que o protagonista deste processo tem sido o Espírito. Em uma Assembleia cheia de nomes, histórias, contos, realidades, feridas e esperança. A religiosa salientou a necessidade de pertencer, participar e ter paciência, mostrando o que isto implica.

Sua presidente disse que "os religiosos e religiosas do continente fazem um ato de fé que queremos continuar remando nesta Igreja de forma sinodal", para o qual ela disse que somos animados por três palavras: profetismo, misticismo e comunhão. Ela também insistiu que nesta Assembleia "a ação profética veio nos jovens e nas mulheres".

O coordenador do Centro de Redes e Ação Pastoral do Celam, ele começou fazendo perguntas sobre como fomos transformados pela experiência, onde respondi a Deus e os novos caminhos que se abrem. Mauricio Lopez disse ficar com a possibilidade de poder voltar até as pessoas que participaram do processo de escuta e dizer-lhes "carregamos com honestidade e coragem essas palavras vivas e voltamos a vocês para continuar caminhando juntos". Ele também insistiu que numa Assembleia tão diferente e inovadora teve a sensação de uma única Assembleia.

Com o coração cheio de alegria, gratidão e também de desafios, o padre Pedro Brassesco chegou ao final da Assembleia, um ponto de chegada e de partida. O secretário adjunto do Celam fez uma leitura do processo a partir do que ele havia vivido em sua pequena paróquia de Ibicuy, na Conferência Episcopal Argentina e nesta semana na comissão de síntese, o que lhe permitiu ver que o que ele havia ouvido ressoava na Assembleia Eclesial. Esta Assembleia reafirmou a sinodalidade como um modo essencial da Igreja, lembrando que Aparecida nos exorta à missão.

Liliana Franco afirmou que "as mulheres não são objetos para se ter, somos irmãs com quem caminhar", citando os nomes das mulheres presentes na Assembleia, tanto pessoalmente quanto virtualmente, ela colocou as mulheres no lugar da espiritualidade, onde o caminho de Jesus está encarnado de uma forma nova, criativa, simbólica e atualizada. Também nas periferias, entre migrantes, afrodescendentes, no lugar da misericórdia e da transformação, no lugar da reflexão teológica, da nova hermenêutica, e na linha da resistência e do profetismo.

O coordenador do Centro de Redes e Ação Pastoral apontou a necessidade do Celam ser uma escola de sinodalidade, embora com limitações, e perguntou se a Assembleia era um momento de projeção de novos dinamismos sinodais, ao que ele respondeu que era. Ele também lembrou os rostos periféricos e a maneira de se aproximar delas como Celam, em que passos estão sendo dados. Ao mesmo tempo, ele falou de novidades explícitas, como o método tradicional latino-americano de ver, julgar e agir, que foi enriquecido e ampliado pela escuta, pelo encontro para poder ver, pelo discernimento para poder julgar, e por uma ação que não pode ser autônoma ou de grupos fechados, mas sinodal.

Quando perguntados sobre o que haviam aprendido na Assembleia, dom Miguel Cabrejos enfatizou o espírito de oração, comunhão, fraternidade e eclesialidade. A irmã Liliana aprendeu e concordou que "ouvir leva à conversão". Mons. Rogelio salientou que todos têm o direito de falar e todos têm o dever de ouvir, vendo a jornada sinodal como um trabalho que nos custa a todos, tendo como resultado a comunhão.

Padre Brassesco disse que tinha aprendido o quanto precisamos de "entusiasmo como a presença de Deus dentro de nós". Finalmente, Mauricio Lopez falou do momento decisivo em que vivemos para transformar a eclesiologia conciliar do Povo de Deus e que a sinodalidade sem escuta continua sendo um belo conceito e a escuta sem novos caminhos permanece retida.

Houve também uma oportunidade de responder aos erros cometidos. Sobre este ponto, Mauricio López disse que acreditava ter ficado "com uma grande dívida em termos de alcance", porque as periferias e o improvável não foram alcançados como deveriam ter sido, e não estavam presentes no grupo pessoalmente. Sobre este ponto, dom Miguel Cabrejos disse que via os fracassos como um motivo para agradecer a Deus.

Para irmã Liliana Franco, as falhas são uma consequência do fato de que "não estamos no lugar da perfeição, mas no lugar da vulnerabilidade". Ela também convidou todas as Conferências Episcopais a assumirem que são responsáveis por ajudar nesta mobilização do espírito sinodal. Ela também sentiu que faltava um impacto maior na base, nos movimentos populares, nas paróquias, nos pastores. Finalmente, Pedro Brassesco, da comissão de síntese, reconheceu que talvez devido a um uso muito cuidadoso da linguagem, eles não viram todas as instâncias e questões levantadas nos grupos representados.


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