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Festa do padroeiro

Da montanha à planície: fé e missão marcam festa de São Judas Tadeu

Missas celebradas ao longo do dia reuniram devotos na Paróquia São Judas Tadeu; celebração presidida por Dom Valdir também marcou a investidura de Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão.
 |  Andrea Rodrigues  |  Paróquias

Durante toda a quarta-feira, 28 de outubro, houve gente chegando. Alguns para participar da Missa, outros para agradecer, fazer um pedido ou simplesmente permanecer por alguns instantes diante daquele a quem a devoção popular aprendeu a recorrer especialmente nas horas difíceis. A cada celebração, os bancos voltavam a se encher. Entre uma Missa e outra, novos rostos atravessavam as portas da igreja quase sexagenária.

Era dia de São Judas Tadeu.

Na paróquia dedicada ao santo, pertencente à Forania Campo Limpo, a festa do padroeiro movimentou a comunidade desde as primeiras horas do dia. As Missas reuniram grande número de fiéis e, ao longo das horas, muitos devotos passaram pela igreja para manifestar sua fé e devoção ao apóstolo.

Do lado de fora, a festa ganhava outros sons e aromas. No pátio ao lado da igreja, barracas com diferentes opções de alimentação prolongavam a convivência entre famílias, paroquianos e visitantes. Dentro, sucediam-se orações, celebrações e agradecimentos. Dois ambientes distintos que, naquele dia, faziam parte da mesma festa.



Às 20h, a última Missa do dia foi presidida por Dom Valdir José de Castro, ssp, Bispo Diocesano de Campo Limpo, e concelebrada pelo pároco, padre Fausto; pelo vigário paroquial, padre Douglas; pelo padre Manfredo, da Paróquia São Vicente e São Tiago Apóstolo; e pelo padre José Wilson, da Paróquia Nossa Senhora da Esperança.

Ao acolher a assembleia, padre Fausto expressou a alegria da comunidade por celebrar mais uma vez seu padroeiro. Mas, naquela noite, havia outro motivo para festejar: durante a celebração, a comunidade acompanharia também a investidura e a renovação do compromisso dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão.

Um santo de coração corajoso

Na homilia, Dom Valdir partiu da figura de São Judas Tadeu para falar de algo que não pertence somente aos santos elevados aos altares: a vocação de todo cristão à santidade.

Ser santo, explicou, não significa viver sem dificuldades, sofrimentos ou obstáculos. Santidade é permanecer intimamente unido a Jesus e fazer dele a referência para aquilo que se pensa, sente e realiza. É aprender, em outras palavras, a amar, sonhar e viver como Cristo.

O Evangelho daquele dia apresentava Jesus passando a noite em oração antes de escolher, entre os discípulos, os doze apóstolos.

A escolha não aconteceu de maneira anônima. Jesus os chamou pelo nome.

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Entre eles estava Judas, filho de Tiago, aquele que a tradição conhece como Judas Tadeu, distinguindo-o de Judas Iscariotes. Dom Valdir recordou que o nome “Tadeu” pode ser compreendido como “homem de coração” ou “corajoso”.

A explicação abriu espaço para uma imagem: coragem tem relação com o coração. E agir com o coração, na perspectiva cristã, não significa simplesmente seguir emoções, mas deixar-se mover pelo amor. Um amor capaz de vencer o medo e transformar o discípulo em apóstolo, palavra que significa justamente “enviado”.

São Judas, portanto, não foi escolhido para permanecer onde estava. Como os demais apóstolos, foi chamado para ser enviado. E foi justamente nesse movimento que a homilia encontrou sua principal imagem.

É preciso subir. É preciso descer.

Antes de escolher os Doze, Jesus subiu a montanha para rezar.

Na Bíblia, explicou Dom Valdir, a montanha é mais do que uma elevação geográfica. É lugar de encontro e manifestação de Deus. É onde Jesus se coloca em profunda comunhão com o Pai e discerne sua vontade. Todo cristão também precisa de suas “montanhas”.

São os momentos de silêncio e oração, a leitura e meditação da Palavra, a recitação do Terço, os retiros e, de maneira especial, a celebração da Eucaristia. É preciso subir para encontrar-se com Deus e permitir que Ele fale ao coração.

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Mas Jesus não permaneceu na montanha. Ele desceu. E, quando chegou à planície, encontrou o povo. Ali estavam pessoas vindas de diferentes lugares, enfermos, atormentados e homens e mulheres que desejavam ouvi-lo e ser curados.

Se a montanha é o lugar do encontro com Deus, a planície é o lugar onde aquilo que se viveu na oração precisa transformar-se em missão. A imagem utilizada por Dom Valdir tornou-se também uma provocação para a comunidade que lotava a igreja naquela noite. Não basta subir. Uma fé que permanece apenas dentro do templo corre o risco de não chegar àqueles que mais precisam dela.

A Igreja é chamada a fazer os dois movimentos: subir como discípula e descer como missionária. Na montanha, encontra Cristo. Na planície, encontra os irmãos.

Pontes entre o altar e quem não pode chegar até ele

Naquela celebração, a imagem da montanha e da planície ganharia uma expressão bastante concreta.

Depois da homilia, dezenas de Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão renovaram seu compromisso com o serviço, enquanto cinco novos ministros foram acolhidos para iniciar essa missão na comunidade.

Antes da investidura, os novos ministros passaram por um período de preparação acompanhado pelo vigário paroquial, padre Douglas. O ministério é confiado a leigos que, depois de adequada formação e discernimento, colocam-se a serviço da comunidade, especialmente na distribuição da Sagrada Comunhão.

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Durante o rito, Dom Valdir pediu ao pároco que testemunhasse sobre a preparação dos candidatos. Em seguida, realizou a bênção e a aspersão das vestes que seriam utilizadas pelos ministros. Então voltou-se diretamente para eles.

“É muito importante o serviço que vocês vão prestar, levar o próprio Cristo na Eucaristia às pessoas, e em especial aos enfermos e idosos que não podem participar da Santa Missa, serem pontes”, exortou.

Pontes

A palavra resumia boa parte da missão que aqueles homens e mulheres assumiam diante da comunidade. Há pessoas que, por causa da enfermidade, da idade avançada ou de outras limitações, já não conseguem atravessar fisicamente as portas da igreja. É então que a Igreja precisa atravessar a porta da casa delas.

O ministro faz esse caminho. Parte da comunidade levando consigo a Eucaristia e chega àqueles que não puderam estar fisicamente junto à assembleia. Assim, de casa em casa, de encontro em encontro, a tenda da comunidade se alarga.

Dom Valdir recordou ainda que o Corpo de Cristo está presente na Eucaristia, mas a própria assembleia reunida também manifesta a Igreja como Corpo de Cristo. Por isso, o ministério recebido não pode ser compreendido apenas como uma função exercida durante as celebrações. Ele exige testemunho nas relações cotidianas, no cuidado e na proximidade com as pessoas.

De certa maneira, os novos ministros eram convidados a repetir o movimento apresentado no Evangelho: aproximar-se de Cristo para depois partir ao encontro do povo. Subir a montanha. E voltar à planície.

Uma festa que continuou do lado de fora

Ao final da Missa, depois de um dia inteiro de celebrações, padre Fausto agradeceu a presença dos fiéis e de todos aqueles que contribuíram para a realização da festa do padroeiro.

Mas a noite ainda não terminaria com a bênção final. O convite foi para que todos continuassem a confraternização no pátio ao lado da igreja, onde as barracas e o encontro entre as pessoas prolongavam a festa que havia atravessado todo o dia.

Aos poucos, os fiéis deixaram os bancos. Alguns ainda fizeram suas últimas orações aos pés do padroeiro. Outros seguiram para o pátio. Depois de tantas pessoas terem passado pela igreja para pedir, agradecer e celebrar São Judas Tadeu, era novamente hora de sair.

Talvez estivesse justamente aí uma das imagens mais simples da homilia daquela noite.

Durante todo o dia, os devotos haviam subido suas próprias “montanhas”: procuraram a igreja, rezaram, participaram da Eucaristia e confiaram suas intenções à intercessão de São Judas Tadeu. Agora precisavam retornar às suas planícies. À casa, ao trabalho, à família, aos enfermos, aos vizinhos e às tantas pessoas encontradas pelo caminho.

Porque a festa de um apóstolo não termina quando as portas da igreja se fecham. Apóstolo significa enviado.